Coronavírus

Pandemia vai agravar problemas provocados pelas vagas de calor

Rafael Marchante

Em 2019 registaram-se duas vagas de calor significativas na Europa, uma no princípio de junho e outra no fim de julho.

Especial Coronavírus

As vagas de calor previstas para o verão vão ser mais difíceis de suportar para as pessoas mais vulneráveis devido às medidas de confinamento impostas por causa da pandemia da Covid-19, avisou a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

"A Covid-19 aumenta o risco das ondas de calor", afirmou a porta-voz da OMM, Claire Nullis, assinalando que os idosos já não poderão sair de casa e estar durante os períodos de mais calor em lugares com ar condicionado como centros comerciais, ou outros espaços públicos.

As visitas periódicas para verificar o estado de saúde das pessoas mais velhas ou os cuidados de emergência próprios de alturas em que se registam ondas de calor também serão mais complicadas, impossíveis em alguns casos porque colidem com as normas de proteção contra a Covid-19.

"As vagas de calor são cada vez mais intensas e frequentes por causa das alterações climáticas e isso aumenta a pressão sobre as pessoas e os sistemas de saúde", acrescentou.

De acordo com os dados de 2018, os idosos mais vulneráveis com mais de 65 anos estiveram 220 milhões de vezes mais expostos a ondas de calor nesse ano, quando comparado com a média entre os anos de 1986 e 2005.

No ano passado registaram-se duas vagas de calor significativas na Europa, uma no princípio de junho e outra no fim de julho.

Em França atingiu-se uma temperatura recorde de 46 graus centígrados no dia 28 de junho e durante todo o verão, as temperaturas altas motivaram 20.000 consultas e 5.700 visitas médicas ao domicílio.

"A mensagem é que devemos estar preparados porque a covid vai complicar tudo", rematou Nullis.