Coronavírus

França proíbe uso de hidroxicloroquina para a Covid-19

Medicamento é usado para combater a malária e doenças reumatológicas.

Especial Coronavírus

A França decidiu hoje proibir a muito controversa hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, após semanas de debates sobre a sua eficácia e perigos, depois de Trump e Bolsonaro defenderem a sua utilização e da publicação de um estudo a salientar o perigo que representa para estes doentes.

"Seja na cidade ou no hospital, esta molécula não deve ser prescrita para os doentes de Covid-19", indicou o ministro da Saúde francês Olivier Véran em comunicado, depois de a proibição ter sido publicada no Jornal Oficial (equivalente ao Diário da República).

Este decreto revoga a possibilidade de prescrever hidroxicloroquina fora de ensaios clínicos e é publicado no dia seguinte ao parecer desfavorável do Alto Conselho da Saúde Pública (HCSP) que recomendou "não utilizar hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19", sozinha ou associada a antibióticos.

Desde o final de março que a hidroxicloroquina podia ser prescrita em França nos hospitais e apenas em pacientes gravemente doentes, sob decisão colegial dos médicos.

Em França tem o nome comercial Plaquénil.

Medicamento defendido por Trump e Bolsonaro, cientistas contradizem

Uma investigação publicada na semana passada na prestigiada revista médica The Lancet apontava a ineficácia e os riscos da hidroxicloroquina em doentes com Covid-19.

Este estudo levou a OMS a supender os ensaios clínicos que estão a ser feitos com hidroxicloroquina em vários países e agora à decisão da Agência de Medicamentos francesa e do Governo francês.

A hidroxicloroquina conheceu fama sem precedentes desde o final de fevereiro, quando o professor francês Didier Raoult, do Instituto Universitário (IHU) Méditerranée-Infection em Marselha, divulgou um estudo chinês, não muito detalhado, afirmando que o fosfato de cloroquina demonstrou eficácia em doente com Covid-19.

O Presidente norte-americano Donald Trump tornou-se grande defensor da hidroxicloroquina a ponto de dizer que a tomava diariamente como medida preventiva, antes de anunciar no domingo que já tinha parado.

No Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro está convencido de seus efeitos benéficos, ainda não comprovados, a ponto de o Ministério da Saúde ter recomendado a sua utilização em todos os pacientes, mesmo que levemente doentes.

Para que é tomada a hidroxicloroquina

A hidroxicloroquina é um dos muitos tratamentos testados desde o início da pandemia de Covid-19.

É normalmente prescrita - e para tal mantém autorização - para combater doenças autoimunes, lúpus ou artrite reumatóide ou ainda para a malária.

Segundo o Infarmed:

Indicações Terapêuticas

Situações reumatológicas e dermatológicas:

- Lúpus eritematoso sistémico

- Lúpus eritematoso discóide

- Artrite reumatóide

- Artrite idiopática juvenil

- Distúrbios dermatológicos provocados ou agravados por fotosensibilidade cutânea

Malária:

- Tratamento dos acessos agudos e para supressão da malária devida a Plasmodium vivax, P. ovale e P. malariae e estirpes sensíveis de P. falciparum.

- Erradicação de malária devido a estirpes cloroquina-sensíveis de P. falciparum.

A hidroxicloroquina não é eficaz contra as estirpes de P. falciparum resistentes à cloroquina e não é activa contra as formas exo-eritrocíticas de P. vivax, P. ovale e P. malariae. Deste modo, não previne a infecção devida a estes organismos quando administrada profilacticamente, nem previne a recorrência da infecção devida a estes organismos.

Pandemia já matou mais de 350 mil pessoas em todo mundo

A pandemia do novo coronavírus já matou mais de 350 mil pessoas em todo o mundo, mais de três quartos na Europa e nos Estados Unidos, segundo um balanço da agência AFP baseado em dados oficiais.

De acordo com os dados recolhidos pela agência de notícias francesa até às 06:00 (07:00 em Lisboa), foi registado um total de 350.196 mortos em todo o mundo (em 5.589.389 casos de infeção), incluindo 173.713 na Europa, o continente mais afetado desde o início da epidemia em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

Os Estados Unidos são o país com mais mortes (98.929), à frente do Reino Unido (37.048), Itália (32.955), França (28.530) e Espanha (27.117).

Casos de Covid-19 em Portugal

Portugal, com 1.342 mortes registadas e 31.007 casos confirmados é o 23.º país do mundo com mais óbitos e o 28.º em número de infeções.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global