Coronavírus

Peru declara oxigénio medicinal bem de interesse nacional

Paolo Aguilar

O país ultrapassou as 5 mil mortes por Covid-19.

Especial Coronavírus

O governo peruano declarou que o oxigénio medicinal é um bem de interesse nacional, para garantir o seu abastecimento face à elevada procura no país, com 183.198 casos de covid-19 e 5.031 mortes registadas.

O aumento das necessidades de oxigénio medicinal, para dar resposta a pessoas infetadas pelo novo coronavírus, originou a sua escassez e um aumento de preços até dez vezes superior ao seu valor normal.

A medida de emergência foi tomada após se verificarem esta semana longas filas de familiares de doentes com covid-19, com garrafas de oxigénio às costas, numa procura desesperada para as recarregar em estabelecimentos que lhes cobravam preços exagerados, segundo relata a agência Efe.

O preço das garrafas de oxigénio de 10 metros cúbicos, que duram cerca de 24 horas, atingiu 6.000 soles (1.541 euros) e as recargas 500 soles (128 euros), a uma taxa de 50 soles (12 euros) o metro cúbico, quando o seu valor habitual é de cerca de 15 soles (três euros).

"Vemos especuladores a tentar aproveitar-se e a pôr em risco a vida de outros. Não vamos permitir isso", disse o presidente peruano, Martín Vizcarra, numa conferência transmitida pela televisão.

O decreto que declara o oxigénio como um bem estratégico prevê uma compra no valor de 84 milhões de solas (21,5 milhões de euros) para satisfazer a elevada procura, que aumentou 40% durante esta emergência, como reconheceu na semana passada o primeiro-ministro, Vicente Zeballos.

O governo peruano comprará também 1.200 concentradores de oxigénio no âmbito de uma dotação de 88 milhões de soles (22,6 milhões de euros) para atender à população indígena.

"As populações indígenas não receberam a atenção que deveriam ter", reconheceu Vizcarra.

O decreto dará igualmente prioridade à produção de oxigénio médico em detrimento do oxigénio industrial, em conformidade com as medidas já tomadas no mês passado pelo ramo executivo para reconverter algumas fábricas durante esta emergência e assim assegurar o abastecimento dos hospitais.

O chefe de estado também criticou as clínicas privadas que alegadamente cobravam taxas adicionais pelos testes à covid-19, que são fornecidos e processados gratuitamente pelo Instituto Nacional de Saúde (INS).

O Peru atingiu hoje as 5.031 mortes, com 137 novos óbitos nas últimas 24 horas, enquanto o número acumulado de infetados aumentou para 183.198, com 4.284 novos casos.