Coronavírus

Noite de sexta-feira na rua, com amigos e bebidas alcoólicas (apesar da proibição)

Fernando Almeida

Fernando Almeida

Repórter de Imagem

Ana Rita Sena

Ana Rita Sena

Editora de Imagem

Consumo está proibido nas ruas, numa altura em que o Governo dá um passo atrás na região de Lisboa. Jovens não temem o contágio e sublinham a saudade de estar com os amigos.

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Apesar do número de casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, a última noite foi passada na rua entre amigos, para muitos jovens.

Se no início da pandemia, os mais novos pediam aos mais velhos que ficassem em casa, com o desconfinamento aumentaram os relatos de ajuntamentos nas ruas, com saídas à noite e algumas festas.

O consumo de bebidas alcoólicas foi proibido na via pública, o Governo voltou a apelar a que os encontros fossem os "estritamente necessários", mas, depois de meses de encontros via internet, os jovens querem aproveitar o tempo perdido.

Vários grupos encontram-se numa zona residencial em Telheiras. Junto aos cafés fechados, um grupo de adolescentes descrevia as saudades dos amigos e a vontade de estar presencialmente com outras pessoas além dos pais.

"É um bocado mau nós estarmos aqui", admite um dos jovens, que sabe também de cor as medidas de prevenção: diz manter o distanciamento, desinfetar as mãos com frequência e tirar os sapatos à porta de casa.

No Cais do Sodré e na Ribeira das Naus, muitos juntavam-se em grupos de 3 ou 4 pessoas, com a companhia de algumas bebidas alcoólicas.

Noutro ponto da cidade, num parque de estacionamento junto à Expo, muitos jovens mudaram de sítio com a chegada da equipa de reportagem da SIC.

Sem se identificarem ou deixarem filmar, ouviram-se queixas sobre a culpabilização dos jovens no aumento de casos na região e o lembrete sobre os transportes públicos: "Com aquela gente toda, onde é que acha que está o contágio? Entre os jovens ao ar livre?".

Mais à frente, cerca de 50 pessoas estavam em diferentes grupos no Skatepark Expo. Um carro da polícia tinha acabado de sair e os jovens abordados - que consumiam bebidas alcoólicas apesar da proibição - elogiaram a abordagem honesta e pedagógica.

Cerca de vinte amigos encontraram-se ali para celebrar um aniversário. Não tiveram dificuldade em comprar vinho e bebidas brancas apesar das restrições e descrevem as novas medidas adotadas entre amigos. Sem partilha de copos ou cigarros, cumprimentos de cotovelo, um dos jovens usava máscara.

Quanto a um possível desleixo sobre as medidas quando embriagados, desvalorizam. "Acho que até é mais reforçado pelo efeito do álcool, porque a brincadeira do "Ai o Covid" é levada bastante a sério e toda a gente entende. Ok, o Covid, é verdade", acrescenta.

"O fruto proibido é sempre o mais apetecido. E quando nos tiram algo que nos é precioso como os amigos, é normal que depois deste tempo todo o que a malta mais queira é estar uns com os outros e voltar a conviver como antigamente", remata um dos jovens.

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