Coronavírus

As vacinas mais promissoras no combate à Covid-19

Thomas Peter

Mais de 20 projetos estão na fase de ensaios clínicos mas não se espera nenhum resultado final até ao final do ano.

Especial Coronavírus

Laboratórios por todo o mundo estão numa corrida contra o tempo para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus. Há dezenas de equipas a testar várias candidatas a vacina, algumas estão mais avançadas e são promissoras, mas os cientistas avisam que nenhuma deverá estar pronta antes do fim deste ano.

Segundo o London School of Hygiene & Tropical Medicine, (que tem um gráfico que mostra o progresso das experiências) 23 projetos estão na fase de ensaios clínicos - que consiste na inoculação da vacina em milhares de voluntários a fim de determinar se impede de facto a infeção.

Os resultados mais encorajadores vêm da Pfizer e da BioNTech, da Moderna, do projeto entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca e de vários projetos chineses, nomeadamente da CanSinoBIO que já obteve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

Universidade de Oxford e laboratório AstraZeneca

A 1 de julho, a equipa da Universidade de Oxford, que está a desenvolver a potencial vacina AZD1222 com o laboratório AstraZeneca, afirmou ter alcançado um resultado encorajador nos testes clínicos com voluntários que desenvolveram uma resposta imunitária

Em declarações ao Parlamento britânico, a líder da equipa Kate Bingham recusou no entato dar um prazo concreto para a finalização da vacina.

Pfizer e BioNTech

A farmacêutica norte-americana Pfizer e a sociedade alemã BioNTech estão a desenvolver a vacina BNT162b1. Anunciaram a 1 de julho resultados preliminares positivos após ensaios clínicos com 45 participantes.

Em comunicado conjunto, afirmam que a vacina BNT162b1 "é capaz de gerar uma resposta de anticorpos nos seres humanos em níveis superiores ou iguais aos observados nos soros convalescentes - em doses relativamente baixas".

Soro convalescente provém do sangue de pessoas infetadas pelo vírus SARS-CoV-2 e que recuperaram.

Estes dados preliminares provêm de um ensaio clínico dito de fase 1/2 realizado nos EUA para verificar se a vacina não é tóxica e que desencadeia uma resposta do sistema imunitário para preparar o corpo para combater o vírus.

Participaram 45 pessoas entre os 18 e os 55 anos, a maioria recebeu doses com 21 dias de intervalo, fosse da vacina ou do placebo, sem saber qual deles. Um número relativamente alto dos participantes teve febre após a segunda dose.

A tecnologia desta vacina reside no ARN mensageiro, um código genético que se insere nas células humana para as obrigar a fabricar anticorpos específicos para o novo coronavírus.

CansinoBIO

CanSinoBIO

A Academia Militar de Ciências Médicas do Exército Chinês, em colaboração com a empresa CanSino BIO, estão a desenvolver uma vacina que usa um adenovírus.

A vacina Ad5-nCoV recorre a clonagem molecular da covid-19, técnica da engenharia genética conhecida também por ADN recombinante.

Passou pelas fases I e II de testes, que indicaram que tem "potencial para prevenir doenças causadas pelo Sars-Cov-2", segundo a CanSinoBIO em comunicado.

A 25 de junho foi aprovada para "uso exclusivo dos militares" chineses pela Comissão Militar Central.

Pelo menos mais sete candidatos a vacina desenvolvidos por empresas chinesas estão em fase de testes clínicos na China.

Farmacêutica Moderna

A empresa de biotecnologia dos Estados Unidos anunciou resultados positivos para uma potencial vacina contra o novo coronavírus. Garantiu que os organismos dos oito pacientes que receberam as duas doses produziram anticorpos.

Imperial College

Cientistas da universidade britânica Imperial College London, que estão a desenvolver uma vacina contra a covid-19 com uma abordagem inovadora, já iniciaram os primeiros testes clínicos com 300 voluntários em meados de junho. Numa segunda fase, que será iniciada em outubro, o ensaio será feito com 6 mil pessoas.

Em vez de usar o método tradicional de inocular pessoas com uma forma enfraquecida ou modificada do vírus, este projeto usa filamentos sintéticos de ARN com base no material genético do vírus.

Uma vez injetado no músculo, o ARN auto-amplifica-se, gerando cópias de si próprio, e instrui as células do próprio corpo a produzirem cópias de uma proteína espinhosa encontrada na parte externa do vírus.

Este processo pretende treinar o sistema imunitário a responder ao coronavírus para que o corpo possa reconhecê-lo facilmente e defender-se contra a covid-19 no futuro.

Outras vacinas em desenvolvimento

Vírus matou mais de 512 mil pessoas e infetou mais de 10,5 milhões no mundo

A pandemia de covid-19 já matou 512.383 pessoas e infetou mais de 10.564.050 em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço da agência AFP, às 19:00 TMG de quarta-feira

Pelo menos 5.341.000 são agora considerados curados.

Desde a contagem realizada às 19:00 TMG de terça-feira, 5.354 novas mortes e 183.264 novos casos ocorreram no mundo.

Os países com mais óbitos nas últimas 24 horas são o Brasil, com 1.280 novas mortes, os Estados Unidos (1.169) e o México (648).

Países mais afetados:

  • Estados Unidos , com 127.681 mortes e 2.658.324 casos.
  • Brasil, com 59.594 mortes e 1.402.041 casos
  • Reino Unido, com 43.906 mortes (313.483 casos),
  • Itália, com 34.788 mortes (240.760 casos)
  • França, com 29.861 mortos (202.126 casos).

Entre os países mais atingidos, a Bélgica continua a ser o que apresenta maior número de óbitos face à sua população, com 84 mortes por cada 100.000 habitantes, seguida pelo Reino Unido (65), Espanha (61), Itália (58) e Suécia (53).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau) contabilizou oficialmente um total de 83.534 casos (três novos entre terça-feira e hoje), incluindo 4.634 mortes e 78.479 recuperações.

A Europa totalizava 197.605 mortes e 2.693.243 casos, os Estados Unidos e Canadá 136.344 mortes (2.762.595 casos), a América Latina e Caraíbas 116.534 mortes (2.591.485 casos), a Ásia 35.156 mortes (1.330.970 casos), o Médio Oriente16.470 mortes (769.591 casos), África 10.141 mortes (406.747 casos) e a Oceânia 133 mortes (9.423 casos).

1.579 mortes e 42.454 casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de 1.579 mortes e 42.454 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu, de terça para quarta-feira, de 1.576 para 1.579, mais 3 em relação a ontem, enquanto o número de infetados aumentou de 42.141 para 42.454, mais 313.

Há 27.798 pessoas recuperadas da doença.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global