Coronavírus

Governo britânico anuncia esquema de descontos para incentivar pessoas a comer fora

A esplanada de um restaurante em Covent Garden, Londres

Simon Dawson

Foi também anunciado um corte temporário do IVA nos setores da restauração e turismo, de 20% para 5%.

Especial Coronavírus

O ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak, anunciou hoje um corte temporário do IVA nos setores da restauração e turismo, de 20% para 5%, e um esquema de descontos para incentivar as pessoas a comer fora.

Sunak disse que o Governo vai oferecer um desconto de 50% em refeições em cafés, restaurantes e pubs em todo o Reino Unido, de segunda a quarta-feira, durante o mês de agosto de 2020 até 10 libras (11 euros) por pessoa.

"Este momento é único, temos de ser criativos: para levar os clientes de novo aos restaurantes, cafés e bares [pubs] , e proteger os 1,8 milhões de pessoas que trabalham neles", justificou, durante a apresentação no parlamento de um conjunto de medidas para estimular a recuperação económica pós-pandemia Covid-19.

Ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak

Ministro das Finanças britânico, Rishi Sunak

HANNAH MCKAY

Os estabelecimentos que se registem no esquema, intitulado "Coma fora para ajudar" [Eat Out to Help Out] , serão reembolsados no espaço de cinco dias úteis, garantiu o ministro.

O governo também vai reduzir o IVA de 20% para 5% nos setores da restauração, turismo e entretenimento, incluindo cinemas, jardins zoológicos, nos próximos seis meses, até 12 de janeiro.

Segundo o ministro, estes setores foram os mais afetados pelo confinamento decretado em março para travar a pandemia covid-19, tendo 80% fechado desde abril e 1,4 milhões de trabalhadores colocados em lay-off.

O setor só foi autorizado a reabrir no passado sábado 04 de julho em Inglaterra e está prevista a reabertura nos próximos dias e semanas também na Escócia e País de Gales.

Rishi Sunak recusou estender o sistema de lay-off para além de outubro, alegando que pode dar uma "esperança falsa às pessoas de que vão poder voltar aos empregos que tinham antes", e previu "um momento difícil" quando acabar.

Para tentar estimular o emprego, prometeu um bónus de mil libras (1,1 mil euros) por cada empregado que mantenha o posto de trabalho até ao final de janeiro e anunciou um financiamento de dois mil milhões de libras (2,2 mil milhões de euros) para a criação de estágios profissionais para jovens.

Outras medidas incluem um investimento de três mil milhões de euros (3,3 mil milhões de euros) na renovação de edifícios para os tornar mais ecológicos e isenção de imposto na compra de habitação até 500 mil libras (555 mil euros).

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 539 mil mortos e infetou mais de 11,69 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (131.362) e mais casos de infeção confirmados (quase 3 milhões), seguindo-se o Brasil (66.741 mortes, quase 1,67 milhões de casos) e o Reino Unido (44.391 mortos, mais de 286 mil casos).

O dia-a-dia numa unidade de doentes Covid-19 no Texas

As medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.