Coronavírus

Trump ignora apelos das autoridades de saúde e faz comício na Flórida

KEVIN LAMARQUE

Estado da Flórida é um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus.

Especial Coronavírus

O Presidente dos EUA, Donald Trump, viaja esta sexta-feira para o Estado da Flórida, um dos epicentros da pandemia de covid-19, para um grande comício eleitoral, ignorando os apelos das autoridades de saúde.

"Testámos 40 ou 45 milhões de pessoas. É um recorde. E os nossos testes são os melhores", disse Trump, numa entrevista televisiva, na quinta-feira, para justificar o elevado número de casos de contaminação com o novo coronavírus que têm sido detetados nos EUA.

"A maioria desses casos melhora imediatamente. São de pessoas jovens, que fazem o teste e dois dias depois estão bem", disse Trump, para justificar o seu otimismo relativamente à evolução da pandemia, num fim de semana em que marcou dois grandes comícios da sua campanha de reeleição: um, hoje, na Flórida, e outro no sábado em New Hampshire.

"Quando ligamos a televisão, eles falam sempre dos casos mais graves. Mas não falam de mortes, porque essas estão a diminuir drasticamente", explicou o Presidente, para contrariar as manifestações de preocupação das autoridades e desmentir as acusações de má gestão da crise sanitária.

Especialista volta a alertar para a dimensão da pandemia nos EUA

Ainda esta sexta-feira, Anthony Fauci, um reputado especialista em doenças infecciosas, repetiu que a pandemia de covid-19 está a aumentar de dimensão nos Estados Unidos, atribuindo esta tendência à falta de uma estratégia coerente contra o novo coronavírus.

"Quando nos comparamos com outros países, não penso que possamos dizer que estamos bem", lamentou Fauci, enquanto o número de novos casos de infeções continua a aumentar, sobretudo no sul e oeste dos EUA.

Leah Millis

Os Estados Unidos bateram um novo recorde, na quinta-feira, com 65.000 novos casos de contaminação em 24 horas, cerca do dobro de novos casos diários registados na primavera, quando o epicentro estava em Nova Iorque.

Anthony Fauci atribui esta regressão no combate à pandemia a um "demasiado rápido" desconfinamento em algumas regiões e acusa o Governo central de falta de resposta adequada à dimensão do problema, antevendo que o número de novos casos diários de contágio nos Estados Unidos possa chegar a 100.000 até ao final deste mês.

Trump acusa especialista de "cometer muitos erros"

Trump respondeu ao epidemiologista, acusando de erros na apreciação da pandemia.

"O doutor Fauci é uma boa pessoa, mas cometeu muitos erros", comentou Trump, lembrando que o especialista, que foi seu consultor principal no combate à pandemia, tinha sido contra o encerramento das fronteiras aéreas com a China, nessa fase inicial da pandemia.

Apesar de o Presidente Trump considerar que a situação está controlada, as autoridades sanitárias dos Estados do sul não escondem a preocupação, quando o número de mortes com covid-19 começa a aumentar no Texas e na Flórida.

Na Flórida é para onde Trump se dirige esta sexta-feira, para vários eventos, incluindo um comício com apoiantes, depois de reuniões com opositores ao regime venezuelano, apesar dos apelos das autoridades sanitárias, para que se evitem iniciativas que agrupem elevado número de pessoas.

Pandemia já fez mais de 555 mil mortes

A pandemia de covid-19 já provocou 555 mil mortos e infetou mais de 12,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.