Coronavírus

Argentina prolonga quarentena, a mais longa do mundo por causa da Covid-19

Argentinian Presidency / HANDOUT

Presidente argentino apela à responsabilidade e avisa que "reuniões sociais clandestinas" serão penalizadas.

Especial Coronavírus

O Presidente argentino anunciou hoje a nona extensão da quarentena, a mais prolongada do mundo, que continuará até, pelo menos, 16 de agosto sem modificações nas restrições, mas com maior controlo e penalização sobre reuniões sociais clandestinas.

"Até o dia 16 de agosto, vamos manter as coisas como estão hoje. Nos últimos dias, notamos que o vírus está circular mais e detetamos maior quantidade de contágios com mais internamentos e mais mortes", anunciou o Presidente Alberto Fernández, a partir da residência oficial de Olivos, na região metropolitana de Buenos Aires.

Os controlos serão maiores, sobretudo no transporte público que continuará restrito às atividades consideradas essenciais como pessoal de saúde.

Não haverá novas aberturas de atividades económicas, mas as que já foram abertas, como pequenas lojas em ruas secundárias, poderão continuar. Nesta semana, depois de 131 dias de proibição, foram abertos, por exemplo, salões de beleza e cabeleireiros e alguns profissionais, como terapeutas e advogados, puderam voltar a exercer.

A tónica do anúncio passou pela responsabilidade de cada cidadão. Ciente do cansaço social que implicam 133 dias de confinamento, sobretudo na região metropolitana de Buenos Aires, o Presidente apelou ao comportamento individual.

"Convoco-vos a cuidar da vida e que o façamos por decisão própria. O esforço por abrir atividades obriga-nos a ter muita responsabilidade social", pediu, indicando que as flexibilizações em algumas atividades têm os seus custos. "Entendamos que isso de acabar com a restrição tem esses custos se não formos responsáveis", insistiu.

O Presidente Alberto Fernández enfatizou a responsabilidade dos jovens que têm perdido o temor ao vírus e organizado festas clandestinas, fintando os controlos da polícia.

Numa mensagem direta a esse segmento social, pediu uma reflexão e advertiu sobre as consequências penais.

"Quero falar aos jovens a partir da minha alma, do meu coração. Sabemos que na juventude, é importante a reunião com amigos. Também sinto saudade dos festivais, do futebol, do churrasco, mas não podemos. Peço, por favor, que façamos esse esforço e que nos ajudem. Peço que reflitam", apelou Fernández, apontando contra "reuniões e festas clandestinas e escondidas que são de alto risco".

O pedido veio acompanhado de uma advertência:

"Peço a todos a máxima responsabilidade. Hoje vou assinar um decreto para proibir os encontros sociais e quem fizer pode ser penalmente responsabilizado por transmitir a doença", avisou.

A Argentina tem um acumulado de 185.373 infetados e 3.466 mortos.

Apesar de se tratar da "mais estrita quarentena do mundo", cada vez mais a população desrespeita as restrições.

"Estamos num momento de crescente circulação do vírus que tem deixado uma preocupante média de 80 mortos por dia", indicou Fernández.

O crescente número de contágios, no entanto, não tem refletido num aumento da letalidade, que se mantém em 1,8%, metade da média da região.

O número de camas hospitalares ocupadas na área metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 16 milhões de pessoas e onde se concentram 90% dos casos, continua em 64,5%.

"Temos cinco contágios por cada quarteirão da cidade de Buenos Aires. Isso demonstra o risco de circular. Zonas do interior do país são afetadas pela irradiação de Buenos Aires. A cada 24 dias, duplicamos o número de óbitos. Não quero que morra mais gente. Não é uma estatística para mim", descreveu.

Ao final do anúncio de extensão do confinamento, o Presidente Alberto Fernández baseou-se nos números do dia anterior para uma nova advertência à população.

"Este anúncio durou 61 minutos. Enquanto durou, foram contagiados 268 argentinos e quatro morreram. Isso é o conoravírus. Não nos descuidemos. O problema não está superado", alertou.

Mais de 673 mil mortos e 17,3 milhões de infetados em todo o mundo

A pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus já provocou a morte de pelo menos 673.909 pessoas e infetou mais de 17.352.910 em todo o mundo, segundo o balanço feito pela Agência France-Presse (AFP) às 11:00 de hoje

Há apelo menos 9.992.800 pessoas consideradas curadas.

Países mais atingidos

Os países que registaram o maior número de novas mortes nos seus últimos balanços foram os Estados Unidos (1.379 óbitos), o Brasil (1.129) e a Índia (779)

Entre os países mais duramente atingidos, a Bélgica é aquele que tem o maior número de óbitos em relação à sua população, com 85 mortes por 100.000 habitantes, seguida pelo Reino Unido (68), Espanha (61), Itália (58) e Peru (57).

Nas últimas 24 horas, as ilhas Fiji e o Vietname registaram os seus primeiros óbitos por covid-19.

  • Estados Unidos, com 152.070 mortos e 4.495.224 casos
  • Brasil, com 91.263 mortos e 2.610.102 casos,
  • México com 46.000 morto e 416.179 casos
  • Reino Unido com 45.999 mortos e 302.301 casos
  • Índia com 35.747 mortos e 1.638.870 casos
  • A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau) contabiliza oficialmente um total de 84.292 casos, (127 novos casos nas últimas 24 horas), incluindo 4.634 mortes e 78.974 recuperados.

A Europa totalizava, às 11:00 de hoje, 209.180 mortes para 3.157.253 casos, a América Latina e Caraíbas 194.683 mortes (4.733.320 casos), os Estados Unidos e Canadá 161.027 óbitos (4.610.841 casos), a Ásia 61.868 mortes (2.775.743 casos), o Médio Oriente 26.997 óbitos (1.146.821 casos), África 19.325 mortes (910.325 casos) e a Oceânia 229 mortes para 18.615 casos do novo coronavírus.

Portugal com 1.735 mortes e 51.072 casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 1.735 mortes e 51.072 casos de Covid-19 em Portugal, desde o início da pandemia.

O número de óbitos subiu, de ontem para hoje, de 1.727 para 1.735, mais oito em relação a ontem, enquanto o número de infetados aumentou de 50.868 para 51.072, mais 204, o que representa um aumento de 0,4%.

Há 381 doentes internados, menos 22 em relação a ontem. 41 encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos, menos um face a quinta-feira.

O número de casos recuperados subiu de 36.140 para 36.483, mais 343.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global