Coronavírus

Autarca de Paços de Ferreira investigado por alegado incumprimento do isolamento

Humberto Brito, presidente da Câmara de Paços de Ferreira

Ministério Público abriu um inquérito ao alegado incumprimento do isolamento profilático.

Especial Coronavírus

O Ministério Público abriu um inquérito ao alegado incumprimento do isolamento profilático do presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Humberto Brito, após ter testado positivo à covid-19, informou fonte judicial.

Segundo esclarecimento da Procuradoria-Geral da República enviado esta terça-feira à Lusa, "confirma-se a existência de inquérito a correr termos no DIAP da comarca de Porto Este", não havendo ainda arguidos constituídos.

No dia 14 de julho, bombeiros da corporação de Paços de Ferreira tinham comunicado à GNR que o presidente da câmara "desrespeitou o isolamento profilático de 14 dias a que estava obrigado" após ter declarado, no dia 8 de julho, que testara positivo para covid-19.

Confrontado com relatos de fontes dos bombeiros, o comandante da corporação, Pereira da Costa, confirmou à Lusa as informações, nada acrescentando.Já o presidente da câmara recusou a alegada violação do dever de confinamento, uma vez que no dia 12 de julho tinha em seu poder um conjunto de testes, com resultado negativo para covid-19, e acusou os bombeiros de o tentarem "denegrir pessoal e politicamente".

O autarca informara na quarta-feira, dia 8, ter sido um dos cinco casos com covid-19 naquela autarquia, detetados no âmbito dos testes realizados a todos os colaboradores daquele município do distrito do Porto. Já no domingo, ia 12, uma equipa de saúde dos Bombeiros de Paços de Ferreira foi chamada a casa do pai de Humberto Brito, encontrando ali o autarca.

No mesmo dia, Humberto Brito foi visto no Hospital Padre Américo, em Penafiel, afirmam as fontes, que asseguram terem comunicado os factos à GNR local.

De acordo com as informações fornecidas à agência Lusa, os bombeiros confrontaram o autarca, em casa do pai, com o facto de não estar a cumprir quarentena, que lhes terá exibido resultados de dois outros testes, que terão dado negativo.

Já o autarca visado entende que "não houve nenhum desrespeito pelas normas de confinamento que se impõem a quem testa positivo".

"No meu caso, os dados provam que provavelmente nunca tive contacto com a covid-19. Posso afirmar que depois de um conjunto de testes que realizei, os mesmos vieram todos negativos", acrescentou. "Mais lamento que a atitude dos bombeiros tenha ocorrido no dia que sabiam que o meu pai teve um enfarte de miocárdio e foi internado de urgência nos Cuidados Intensivos de Cardiologia do Hospital Padre Américo, com prognóstico reservado, desconsiderando todo o sentido humanitário", acrescentou.

Fonte autárquica contactada esta terça-feira pela Lusa disse desconhecer a existência de qualquer inquérito da PGR sobre este caso.