Coronavírus

Covid-19. Em que situações podem encerrar as escolas?

JOSÉ COELHO

A Direção-Geral de Saúde esclareceu, esta sexta-feira, na habitual conferência de imprensa, que o encerramento dos estabelecimentos de ensino será uma exceção e acontecerá no caso de "uma propagação comunitária intensa".

Especial Coronavírus

Uma escola só encerrará em "situações muito extraordinárias" como no caso de existirem muitos casos de covid-19 dentro do estabelecimento e "uma propagação comunitária intensa", disse hoje a diretora-geral da Saúde, sublinhando que será uma decisão cirúrgica.

"O impacto de fechar uma escola é tão grande que tem que haver critérios, uniformização, ponderação, ver se todos os aspetos foram estudados e estão a ser bem aplicados, porque é uma decisão de uma grande responsabilidade e vamos tentar ser cirúrgicos no nosso procedimento", disse Graça Freitas na conferência de imprensa regular sobre covid-19.

A diretora-geral da Saúde explicou que quando for possível, será limitada uma turma, uma zona ou uma ala da escola, e "só em situações muito extraordinárias, com grande circulação dos casos de infetados dentro da escola e com uma propagação comunitária intensa é que é de ponderar o encerramento de uma escola".

Graça Freitas reconheceu que o risco de contágio nas escolas é "uma grande preocupação" para os pais, professores e alunos, mas também para a saúde.

Qual é a intenção da DGS?

Mas, pelo menos, por agora, "a intenção é que encerrar na totalidade uma escola seja uma exceção", reiterou, adiantando que há mecanismos que vão ser adotados e estão previstos no referencial para que uma escola possa ser encerrada.

Defendeu ainda que agora é preciso restringir mesmo a socialização. "Temos que esforçar-nos por ter menos contacto com outras pessoas porque quanto menos contactos, menos contágio, e estamos a entrar numa fase em que os casos estão a subir".

"Um caso numa escola, dois, três ou quatro mais ou menos isolados não tem o mesmo significado de que um dois ou três ou quatro casos que comuniquem muito com outras pessoas que passem de sala para sala, que partilhem refeições", explicou.

E a zona exterior das escolas?

Por outro lado, o exterior da escola também condiciona a decisão. Por estas razões, a avaliação do risco será sempre feita pela autoridade de saúde da respetiva escola, salientou.

Haverá uma fiscalização nos arredores das escolas para evitar ajuntamentos e focos de infeção?

A ministra da Saúde afirmou que todas as pessoas são "agentes de saúde pública" e este "é um momento" de responsabilidade individual e coletiva.

"Compreendo as preocupações que todos possam ter com aquilo que possam ser comportamentos menos adequados ao respeito pelas regras, mas também sei que podemos contar com a sociedade civil para alertar designadamente os mais novos, a comunidade escolar, os encarregados de educação quando as regras não forem respeitadas", disse Marta Temido.

Depois, vincou, há mecanismos como a Escola Segura e a intervenção das forças de segurança que permitem também ajudar a controlar essas situações.

"Estou em crer que estamos num período de adaptação do funcionamento regular das escolas, e temos um quadro normativo que permite dar enquadramento aos riscos eventuais", afirmou Marta Temido.

E quanto aos menores obrigados a ficar em isolamento?

A ministra da Saúde disse, na habitual conferência de impresa da DGS, que os pais dos alunos menores que sejam obrigados a ficar em isolamento por causa da covid-19 têm direito a ficar com os filhos.

Professores sem opção de teletrabalho

Quando à posição dos professores, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, esteve esta sexta-feira à tarde na SIC Notícias para analisar a situação dos professores que pertencem a grupos de risco e que não podem exercer teletrabalho.

Mário Nogueira disse que o Ministério da Educação não assegurou as condições para o regresso à escola em segurança para os professores que pertencem a estes grupos.

Portugal com mais 3 mortes e 687 novos casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta sexta-feira a existência de 1.855 mortes e 62.813 casos de Covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.852 para 1.855, mais 3 do que na quinta-feira - duas mortes foram registadas na região de Lisboa e Vale do Tejo e outra teve lugar na região do Algarve.

O número de infetados aumentou de 62.126 para 62.813, mais 687, o número de novos casos mais alto desde 16 de abril

Em vigilância permanecem 35.712 contactos, mais 531 do que na quinta-feira.

Há mais 203 pessoas recuperadas da doença, totalizando 43.644.

O número de internados desceu para 404 (menos dois) e o de doentes em internamento nas Unidades de Cuidados Intensivos baixou para 54 (menos três).

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