Coronavírus

General toma posse como ministro da Saúde do Brasil

Adriano Machado

Após quatro meses como interino.

Especial Coronavírus

O general Eduardo Pazuello tomou esta quarta-feira posse como ministro da Saúde do Brasil, após quatro meses a liderar interinamente a tutela durante a pandemia da covid-19 no país.

A cerimónia que efetivou Pazuello como ministro contou com a presença do chefe de Estado, Jair Bolsonaro, que afirmou ser "menos complicado" ser responsável pela pasta da Saúde do que pela Presidência do país.

Bolsonaro enumerou ainda os problemas que enfrentou com os anteriores ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, nomeadamente em relação à hidroxicloroquina, fármaco amplamente defendido pelo Presidente do Brasil para enfrentar a doença, mas sem comprovação científica na sua cura.

No seu discurso de tomada de posse, Eduardo Pazuello solidarizou-se com os familiares das vítimas mortais devido à covid-19, assim como com os profissionais de saúde que estão na linha da frente no combate à pandemia.

O ministro elogiou ainda o Sistema Único de Saúde (SUS) do país e frisou que tem na assistência à população indígena uma das suas prioridades.

Sob a gestão de Pazuello, o Ministério da Saúde mudou as diretrizes, para que a população procurasse a rede de saúde quando sentisse qualquer sintoma da doença, mesmo que seja ligeiro, situação que foi referida na tomada de posse.

"A aprendizagem mostrou-nos que quanto mais cedo atendermos a população nos seus sintomas iniciais, mais vidas salvaremos. Não fique em casa à espera da falta de ar, inicie o tratamento o mais rápido possível. (...) Estamos com uma nova estratégia de testagem em todo o país e não medimos esforços na procura por uma vacina", disse Pazuello.

"Comprometo-me com todos os brasileiros a alcançar o que todos esperamos da área da saúde: efetividade, universalidade, transparência, dignidade e respeito pelos recursos públicos", afirmou o militar.

General do Exército, Pazuello assumiu em abril a função de secretário executivo da Saúde, segundo cargo mais alto da hierarquia ministerial, após o oncologista Nelson Teich assumir o ministério, em substituição de Luiz Henrique Mandetta, exonerado após ter discordado publicamente de Bolsonaro na condução das medidas de combate ao novo coronavírus.

Contudo, poucas semanas depois, Teich pediu demissão, tendo Pazuello assumido interinamente, em 16 de maio, a liderança do Ministério da Saúde.

Especialista em logística, o agora ministro da Saúde foi coordenador logístico das tropas do Exército durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no país sul-americano (2016), além de ter coordenado as ações da Operação Acolhida, que presta assistência aos migrantes venezuelanos que chegam ao estado brasileiro de Roraima após fugirem da crise política e económica no país vizinho.

Pazuello é o nono ministro que saiu das fileiras militares no Governo de Bolsonaro.

Desde maio, o militar é o responsável pelas estratégias do Governo federal de enfrentamento da pandemia da covid-19, que tem no Brasil um dos seus maiores focos.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 4,3 milhões de casos e 133.119 óbitos), depois dos Estados Unidos.