Coronavírus

Mais de mil peregrinos judeus impedidos de entrar na Ucrânia

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Estão bloqueados "na terra de ninguém" entre a Bielorrúsia e a Ucrânia por causa das restrições impostas pela Covid-19.

Especial Coronavírus

Mais de mil peregrinos judeus estão bloqueados na fronteira entre a Bielorrússia e a Ucrânia devido às restrições contra a propagação da covid-19 e os grupos continuam a chegar à zona, avisaram hoje as autoridades dos dois países.

De acordo com as autoridades ucranianas e bielorrussas, os judeus hassídicos estão a chegar da França e do Reino Unido e esperam poder participar na peregrinação em Ouman, centro da Ucrânia, mas encontram-se bloqueados "na terra de ninguém" entre os dois Estados devido ao encerramento das fronteiras ucranianas.

Muitos peregrinos viajaram através da Bielorrússia convencidos de que podiam contornar as imposições sanitárias proclamadas por Kiev.

Segundo a Cruz Vermelha da Bielorrússia, os peregrinos bloqueados em situação precária não têm meios para se manterem no local onde se encontram.

As imagens que estão a ser transmitidas mostram grupos de pessoas, incluindo crianças, que se mantêm sem abrigo e impedidas de prosseguir pela polícia antimotim da Ucrânia.

"Eu respeito as vossas tradições, mas este ano vocês não podem passar para Ouman. Vou repetir a mesma coisa mil vezes, se for preciso", disse Serguei Deineko, um dos guardas fronteiriços ucraniano a um dos grupos que se mantém na zona de fronteira.

De acordo com os guardas da fronteira bielorrussos, pelo menos 1.064 cidadãos israelitas atravessaram a fronteira na segunda-feira, incluindo 242 crianças, em direção às barreiras ucranianas.

"A Bielorrússia está a fazer todos os esforços para fornecer abrigos e alimentação", disseram as autoridades de Minsk através de um comunicado.

No lado ucraniano da fronteira, as autoridades também estimam que o número de pessoas "ronda os mil peregrinos", mas que a "situação está sob controlo".

Na terça-feira as autoridades referiram que se encontravam na zona de fronteira 700 pessoas que pretendem passar para o local de culto judeu na Ucrânia.

Alexei Dioubenkov, porta-voz da Guarda Fronteiriça da Ucrânia disse à agência nacional Belta que há mais grupos de peregrinos que continuam a chegar.

Entretanto, o presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukashenko, mantém conversações com a Ucrânia, acusando Kiev de estar a provocar uma grave crise política na Bielorrússia e pediu ao governo de Minsk para negociar com o Executivo ucraniano a "abertura de um cordão humanitário para que os peregrinos possam chegar a Ouman".

"Não há qualquer tipo de provocação e nenhuma situação de tensão desde ontem (terça-feira). Eles estão a receber água potável e mantas", disse à France-Presse Andrii Demtchenko, porta-voz dos serviços de fronteiras da Ucrânia.

Todos os anos, durante o Ano Novo judeu, dezenas de milhares de peregrinos dirigem-se para Ouman, no centro do território ucraniano, para orações junto do túmulo do Rabi Nahman de Breslev (1772-1810), que fundou uma rama do judaísmo ortodoxo (hassídicos).

Este ano a peregrinação está marcada para decorrer entre os dias 18 e 28 de setembro.

As autoridades ucranianas e israelitas apelaram à suspensão das cerimónias religiosas este ano por causa da epidemia global de SARS CoV-2.

No final de agosto, a Ucrânia fechou as fronteiras a estrangeiros por causa do aumento dos casos de contágio.

Em Israel as autoridades, pelos mesmos motivos, decretaram um novo confinamento.

Na cidade de Ouman, com 80 mil habitantes, a situação é considerada "difícil" devido ao fluxo dos peregrinos.

Na semana passada duas pessoas foram expulsas por terem ultrapassado as barreiras instaladas junto ao local de culto judeu, uma medida que foi tomada no quadro das leis de distanciamento sanitário.

De acordo com a polícia da Ucrânia, milhares de peregrinos que se encontram em Ouman, apesar das restrições, têm de usar máscara de proteção sanitária e são sujeitos à medição de temperatura.

Quase 930 mil mortos e mais de 29,4 milhões de casos em todo o mundo

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 929.391 mortos e mais de 29,4 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Os Estados Unidos são o país mais afetado com 195.765 mortos. Seguem-se o Brasil (133.119), Índia (80.776), México (71.049) e Reino Unido (41.664).

Seis meses depois do início da pandemia, o mundo lida com a ameaça de uma segunda vaga

Seis meses depois de ter sido declarada a pandemia de Covid-19, o mundo lida agora com a ameaça ou, em muitos casos, com a realidade, de uma segunda vaga de contágios.

Mas há também países que acreditam ter conseguido travá-la, como a Austrália. O Governo prepara-se agora para aliviar as restrições impostas aos cidadãos.

Portugal com mais 4 mortes e 425 novos casos de Covid-19

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta terça-feira a existência de um total de 1.875 mortes e 65.021 casos de covid-19 em Portugal desde o início da pandemia.

O número de mortes subiu de 1.871 para 1.875 , mais 4 do que na segunda-feira. O número de infetados aumentou de 64.596 para 65.021, mais 425.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global