Coronavírus

Covid-19 na Bélgica. Médicos infetados devem continuar a trabalhar

STEPHANIE LECOCQ

Autoridades avisam que o país está no limite.

Especial Coronavírus

Alguns profissionais de saúde de hospitais de Liège, na Bélgica, têm sido convidados a continuar a trabalhar mesmo se testarem positivo à covid-19, desde que estejam assintomáticos.

Autoridades avisam: Bélgica está no limite

As autoridades de saúde belgas já avisaram que o país pode mesmo ficar sem camas disponíveis nas unidades de cuidados intensivos e que alguns hospitais estão no limite com a falta de recursos humanos.

O país tem registado mais de 13 mil casos diários na última semana e é já considerado o segundo pior na Europa em termos de novas infeções per capita, ultrapassado apenas pela República Checa. Um cenário que, avisam as autoridades sanitárias, só poderá ser alterado se os cidadãos alterarem comportamentos.

O porta-voz da luta anticoronavírus na Bélgica, Yves Van Laethem, alerta mesmo que se os belgas não cumprirem as medidas de restrição, as unidades de cuidados intensivos do país atingirão a sua capacidade máxima em 15 dias.

Situação está tão má que médicos infetados devem continuar a trabalhar

Em Liège, uma das cidades belga mais afetadas, os profissionais de saúde estão mesmo a ser convidados a trabalhar infetados. Devido à falta de pessoal no Hospital Universitário, está a ser pedido a médicos e enfermeiros que continuem a trabalhar. No caso de profissionais com sintomas, é-lhes pedido que permaneçam em casa, cumprindo o isolamento.

“Não é um problema porque estão a trabalhar em unidades covid com pacientes que também testaram positivo”, explicou à CNN o diretor de comunicação da instituição, Louis Maraite.

Contudo, segundo a emissora norte-americana, noutro hospital daquela cidade os profissionais infetados também trabalham noutras unidades com pacientes não-covid, uma questão que está a gerar preocupação.

Um porta-voz do Ministério da Saúde belga explicou à CNN que é permitido que infetados assintomáticos continuem a trabalhar nos hospitais “em condições muito restritas” e apenas porque há uma falta de profissionais.

Segundo confinamento?

O Governo belga prepara-se para decidir sobre um segundo confinamento até ao final desta semana, admitindo medidas “mais restritivas” caso não seja registada uma diminuição nos internamentos.

Na semana passada, numa tentativa de travar o contágio, a Bélgica impôs novas medidas no seu território, incluindo um recolher obrigatório entre a meia-noite e as 05h00. Restaurantes e cafés não podem servir à mesa e sempre que possível os cidadãos devem estar em teletrabalho.

A Bélgica tornou-se esta terça-feira o país da Europa com maior número de contaminações de coronavírus por 100 mil habitantes, 1.390, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.