Coronavírus

Covid-19. Eslováquia testa metade da população através de polémico programa

JAKUB GAVLAK

A Eslováquia pretende incluir-se entre os primeiros países do mundo que testaram o conjunto da população.

Especial Coronavírus

Apenas 1% dos dois terços da população eslovaca que efetuou testes de despistagem do coronavírus que provoca a covid-19 no passado fim de semana, no âmbito de um controverso programa nacional, obteve resultado positivo, anunciou esta segunda-feira o Governo.

Os testes de antigénio foram efetuados em 3,625 milhões de pessoas, num país de 5,4 milhões de habitantes. Testaram positivo ao novo coronavírus 38.359 pessoas, 1,06% do total.

"Efetuámos um grande passo em frente", congratulou-se o primeiro-ministro Igor Matovic. "Mas não devemos pensar que com este 1% tudo está bem. Não é o caso", acrescentou em declarações aos media. "Na realidade, podem estar infetados até 2% dos nossos habitantes. Não é uma boa situação", considerou o chefe do Governo eslovaco.

Como funcionam os testes antigénio?

Os testes de antigénio fornecem resultados rápidos - por vezes em alguns minutos -, mas são considerados menos fiáveis que os testes PCR onde as recolhas nasais devem ser enviadas para um laboratório de análises.

Para o próximo fim de semana está prevista uma segunda série de testes.

A participação neste programa de despistagem não é obrigatória, mas quem não disponha de certificado de teste negativo arrisca-se a uma elevada multa caso seja interpelado pela polícia.

Todas as pessoas que testaram positivo devem ser sujeitas a quarentena durante dez dias.

A Eslováquia pretende incluir-se entre os primeiros países do mundo que testaram o conjunto da população. País mais pequenos, como o Luxemburgo, já o fizeram, à semelhança de diversas cidades chinesas onde a população é superior à da Eslováquia, caso de Wuhan, apontada como a origem do vírus.

Governo admite que restrições poderão ser suavizadas após conclusão dos testes

O Governo eslovaco admitiu que as restrições poderão ser suavizadas após a conclusão dos testes, ou reforçadas caso o programa não seja executado na totalidade.

À semelhança de outros países, a Eslováquia registou um forte aumento dos casos de coronavírus, apesar de inferior à média da União Europeia (UE).

Esta segunda-feira, o país assinalou 1.883 novas infeções, o que eleva o total para 61.829 casos e 219 mortos.

O programa foi criticado por deficiências na sua organização. Segundo a Associação eslovaca de médicos generalistas, a forte concentração de pessoas nos locais de despistagem está "em contradição com as recomendações dos especialistas em doenças infecciosas".

Pandemia já fez mais de 1,2 milhões de mortos

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,2 milhões de mortos e mais de 46,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Na Europa, o maior número de vítimas mortais regista-se no Reino Unido (46.853 mortos, mais de um milhão de casos), seguindo-se Itália (39.059 mortos, mais de 731 mil casos), França (37.019 mortos, mais de 1,4 milhões de casos) e Espanha (35.878 mortos, mais de 1,1 milhões de casos).

Portugal contabiliza 2.590 mortos em 146.847 casos de infeção.