Coronavírus

Covid-19. Comunicação com incoerências pode levar à desvalorização das medidas

Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos alerta que nem todos os portugueses compreendem a dimensão das novas medidas aprovadas.

Especial Coronavírus

Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, afirmou, esta terça-feira na Edição da Tarde da SIC Notícias, que tem havido uma falha na comunicação das medidas de proteção contra a Covid-19. Este fator está a contribuir para a desacreditação e desvalorização das regras impostas por parte dos cidadãos.

“Muitos de nós temos chamado a atenção para a incoerência de algumas das medidas que fomos tomando e a forma como as comunicamos”, disse a bastonária.

Usando com exemplo as novas regras aplicadas ao estado de emergência, Ana Paula Martins não tem a certeza se “todos os portugueses as compreenderam, exatamente na sua dimensão”, e sublinha que as dúvidas causadas podem levar à desacreditação e desvalorização das medidas.

Sobre a segunda vaga, Ana Paula Martins lembra que a história das pandemias já tinha antecipado a existência de uma nova vaga mais agressiva. Para além do aumento de casos Covid-19, a diminuição dos cuidados de saúde durante a primeira fase da pandemia aumenta também o número de doentes não Covid-19, o que criaria a “tempestade perfeita”.

“Chegaríamos ao inverno com pessoas que são doentes de outras doenças e que estariam em situações mais graves. Exatamente porque na primeira fase nós tivemos de diminuir a prestação de cuidados de saúdes a todos aqueles que não eram doentes Covid-19. E portanto, os outros doentes, aqueles que não têm Covid-19, chegariam a esta fase mais descompensados, mais doentes e a precisar de mais cuidados", explica.

À luz deste conhecimento, a bastonária dos Farmacêuticos defende que o planeamento do inverno deveria ter sido feito durante os meses de maio a agosto, mobilizando os profissionais de saúde e autoridades de saúde para o combate à pandemia.

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