Coronavírus

Covid-19. Restauração, cultura e discotecas exigem apoios e avançam com manifestações

Rafael Marchante

Pedem medidas como apoios financeiros a fundo perdido para compensar os prejuízos acumulados.

Especial Coronavírus

Um movimento informal de profissionais da restauração, hotelaria, bares, discotecas e cultura exigiu esta quinta-feira a atribuição de apoios que permitam mitigar o impacto da pandemia, como a isenção da TSU até junho, convocando ainda manifestações para sexta-feira e sábado.

"Durante meses suportámos encargos como água, luz, renda, impostos, salários, internet, telefones, sistemas de faturação e fornecedores. Durante meses aguardámos a luz no fundo do túnel, sem saber quando e como reabriríamos. Em maio permitiram-nos abrir. Desde maio, nada foi como dantes", lê-se no manifesto deste movimento.

No documento, os profissionais garantiram ter cumprido todas as regras e limites impostos pelo Estado, sem qualquer mudança ao nível dos seus deveres e obrigações.

"Vivemos num Estado social. Pagamos os nossos impostos e contribuições para que, em caso de necessidade, estejamos protegidos. E exigimos, agora, essa proteção", vincaram os profissionais.

Impacto na restrauração: "Equilíbro entre saúde pública e economia não está a ser feito"

Ana Jacinto, secretária geral da AHRESP, Associação da Hotelaria, Restauração e Similares, diz que não sabe qual será o impacto das novas restrições no setor, mas sabe que será "um impacto grande".

"O que nós sabemos é que mesmo antes destas medidas terem impacto, o setor já estava com dados muito preocupantes."

A secretária geral da AHRESP divulga os resultados de um inquérito realizado, ainda antes das novas medidas restritivas, onde 41% das empresas de restauração e bebidas não têm condições para continuar a funcionar, cerca de 43% tiveram quebras homólogas superiores a 60%, em relação ao mês de outubro do ano passado, e 47% das empresas já fez despedimentos.

"Nós compreendemos as medidas restritivas, (...) agora o que nós dizemos é que é preciso equilibrar estas medidas com medidas compensatórias."

Para Ana Jacinto as "medidas que têm vindo a ser implementadas são curtas e insuficientes para fazer face ao grande impacto" no setor.

Medidas exigidas pelo movimento

Neste sentido, o movimento exige a adoção de medidas como apoios financeiros a fundo perdido para compensar os prejuízos acumulados no setor dos bares e discotecas, eventos, restauração, comércio e fornecedores, apoios para a restauração e comércio pela redução de horários, cuja reposição reclamam para os restaurantes, bares e comércio local.

Por outro lado, reclamam a isenção da taxa social única (TSU) até ao final de junho de 2021, a redução da taxa de IVA até 31 de dezembro do próximo ano, apoio ao pagamento das rendas, a "injeção direta" de fundos nas empresas "sem a exigência de ter as finanças e a segurança social em dia", o regime de 'lay-off' para sócios-gerentes independente ou o pagamento em seis prestações do IVA automaticamente aprovado.

Estes profissionais querem ainda apoios a fundo perdido à manutenção dos postos de trabalho e às tesourarias das empresas, o "reforço imediato" das linhas de crédito, a isenção de impostos nas rendas dos imóveis, durante a proibição de exercício da atividade, o prolongamento dos contratos de arrendamento por mais três anos, a anulação de multas pelo pagamento atrasado de impostos, assim como o prolongamento dos apoios da Segurança Social aos trabalhadores independentes.

Estes trabalhadores convocaram ainda uma manifestação para sexta-feira, às 16:00, nos Aliados, Porto, e outra no sábado, pelas 12:30, no Rossio, em Lisboa.

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