Coronavírus

Covid-19. Rapidez na implementação dos apoios pode marcar a diferença

Para o economista Pedro Brinca é preciso acautelar os custos fixos dos apoios que irão prejudicar a competitividade das empresas

Especial Coronavírus

Pedro Brinca, economista e professor de macroeconomia na Universidade Nova de Lisboa, explica, na Edição da Tarde, que as medidas de apoio à economia para responder à pandemia, anunciadas pelo Governo, “são bens pensadas”, mas lembra a rapidez de implementação “é fundamental”

“As ideias na sua génese são boas, são bem pensadas, são bem recebidas pelas pessoas a quem afeta, mas de facto tem havido atrasos na implementação. A rapidez de implementação é fundamental porque é isso que pode também marcar a diferença entre empresas que fecham ou que se conseguem manter em atividade”, sublinha o professor.

Para além disso, Pedro Brinca lembra que os apoios têm custos fixos associados que, quando terminar o estado de emergência, podem tirar competitividade às empresas portuguesas.

“Quando nós começarmos a sair de todo este estado de emergência, vai haver aqui um conjunto de custos fixos. As empresas foram recorrendo a estas ajudas e endividamento para se aguentarem acima da linha de água, mas que vai ter de ser pago no futuro. Isso vai tirar competitividade, vai ser um grande problema nos balanços destas empresas que, depois, se pode traduzir em incumprimentos”, alerta Pedro Brinca.

Sobre o apoio de Bruxelas que está atualmente bloqueado pelos vetos da Hungria e da Polónia, o economista considera que essa questão “não é assim tão grande”, uma vez que as taxas de juro que Portugal anda a pagar pela dívida pública “são das mais baixas de já há muito tempo”.

A questão do dinheiro de Bruxelas não é assim tão grande. Portugal está em termos de capacidade de endividamento, as taxas de juro que nós andamos a pagar pela divida pública são das mais baixas de já há muito tempo.