Coronavírus

Covid-19. Primeiro-ministro holandês indignado com ameaças enviadas a membros do comité científico

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Vários membros do comité científico encontraram cartas ameaçadoras depositadas diretamente nas suas caixas de correio.

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O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, expressou esta sexta-feira a sua indignação ao saber que cientistas que assessoram o Governo na gestão da crise de covid-19 receberam ameaças.

"Estamos todos extremamente chocados. Estas pessoas estão a fazer um trabalho bom e importante e fazem-no com a sua alma e consciência", afirmou Rutte, durante uma conferência de imprensa.

Vários membros do comité científico (OMT) encontraram cartas ameaçadoras depositadas diretamente nas suas caixas de correio, informou a imprensa holandesa.

Um dos membros do OMT, Andreas Voss, recebeu uma carta qualificando-o como "um macaco horrível" e instando-o a "regressar aos alemães", contou em declarações ao portal de notícias holandês Nu.nl.

"As pessoas podem não concordar com as nossas escolhas políticas ou conselhos, é bom discutir a fundo. Mas nunca aceitaremos intimidações e ameaças. Isso é, em todos os sentidos, inaceitável", declarou o primeiro-ministro.

Vários membros do comité científico sentem-se agora intimidados e relutantes em falar sobre a covid-19 com a imprensa, segundo o mesmo portal.

Questionado pela agência francesa France-Presse, o porta-voz do Instituto Nacional de Saúde Pública e do Ambiente (RIVM), que abriga o comité científico, recusou comentar.

Desde o início da crise do novo coronavírus, ocorreram em todo o país várias manifestações de grupos que se opõem às medidas de saúde.

No entanto, nenhuma ligação foi estabelecida entre os opositores das medidas e a intimidação expressa contra estes membros da OMT, que não comentou a origem das ameaças recebidas.

Em outubro, a Coordenação Nacional de Luta contra o Terrorismo e Segurança (NCTV) publicou um documento no qual alertava para a possibilidade de atos violentos ligados à pandemia, fruto de uma "combinação de ideologia extremista, possíveis problemas psicossociais e psicológicos e medidas no contexto da covid-19".

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