Coronavírus

Covid-19. Aumento de infeções leva responsáveis alemães a pedir mais restrições

Andreas Gebert

Presidente do Instituto de Vigilância de Saúde Robert-Koch classificou como preocupante o aumento do número de casos.

Saiba mais...

O presidente do Instituto de Vigilância de Saúde Robert-Koch (RKI) classificou esta quinta-feira como preocupante o atual aumento do número de infeções por covid-19 na Alemanha e defendeu a necessidade de adotar novas medidas restritivas.

"A situação continua muito grave" e "piorou desde a semana passada", disse Lothar Wieler num dia em que a Alemanha registou mais 440 mortes e 23.679 casos de infeção pelo coronavírus em 24 horas.

O número de mortos num só dia já tinha atingido um recorde na quarta-feira, ao somar 590 vítimas mortais.

Segundo o presidente do RKI, é preciso, face à evolução dos números, considerar novas medidas restritivas.

"Se as medidas em vigor não funcionam, não vejo outra possibilidade", defendeu.

Medidas restritivas em vigor

Na Alemanha, os restaurantes, bares, instituições culturais e espaços desportivos estão encerrados desde 01 de novembro.

"Há já algumas semanas, o número de casos atingiu um patamar elevado e agora estamos a assistir a um novo aumento do número de casos", acrescentou, numa conferência de imprensa realizada hoje em Berlim.

O responsável do instituto alertou ainda para a probabilidade de um aumento exponencial das infeções, situação que, sublinhou, tem de ser evitada.

A Alemanha, apresentada como o "bom aluno" da Europa na primeira vaga da pandemia, na primavera, registou cerca de 1,2 milhões de infetados desde o aparecimento do vírus, em dezembro do ano passado, de acordo com dados do RKI.

Face ao ressurgimento do vírus e com a aproximação das férias do final do ano, tradicionalmente marcadas por reuniões de família e amigos, a chanceler, Angela Merkel, pediu novas restrições, sublinhando, num apelo feito na quarta-feira aos deputados, que o número de contactos entre as pessoas é atualmente "muito elevado".

A Alemanha, onde as tradições do Natal estão profundamente enraizadas, tem-se preocupado, nomeadamente com as barraquinhas de comida, que vendem o tradicional vinho quente e 'waffles', e que habitualmente se multiplicam à medida que as festas se aproximam.

Essas pequenas barraquinhas surgiram em todo o país à medida que os mercados de Natal foram proibidos e as festas corporativas de Natal canceladas.

Angela Merkel, que participa numa cimeira europeia em Bruxelas na quinta e na sexta-feira, deverá reunir-se com os líderes dos 16 estados regionais do país neste fim de semana para decidir novas medidas de restrição.