Coronavírus

Covid-19. Realizador Kim Ki-duk morre aos 59 anos na Letónia

© Tony Gentile / Reuters

O cineasta conquistou, em 2012, o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, em Itália, com "Pietá"

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O realizador sul-coreano Kim Ki-duk, vencedor do Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza em 2012, morreu hoje, aos 59 anos na Letónia, devido a complicações relacionadas com a covid-19, avançaram hoje vários meios de comunicação social.

De acordo com o realizador letónio, sediado na Rússia, Vitaly Mansky, presidente de um festival internacional de documentário em Riga, citado pela agência de notícias Baltic News Service, Kim Ki-duk morreu depois de ter sido diagnosticado com covid-19.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, citado pela agência Associated Press, confirmou ter sido informado da morte, ocorrida hoje, de um cidadão sul-coreano de 59 anos, que estava internado num hospital da Letónia, devido à covid-19, mas escusou-se a revelar a identidade da vítima.

De acordo com meios de comunicação social locais, Kim Ki-duk tinha chegado à Letónia há cerca de um mês, com a intenção de ali comprar uma casa e de obter autorização de residência.

O cineasta conquistou, em 2012, o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, em Itália, com "Pietá". Em Portugal, o filme foi apresentado no Fantasporto, onde o trabalho do realizador era presença habitual.

Em 2004, Kim Ki-duk venceu o Urso de Prata do Festival de Cinema de Berlim com "Samaritana". Tendo no mesmo ano recebido o Leão de Prata, em Veneza, com "Ferro 3".

Em 2017, soube-se que o Ministério Público sul-coreano estava a investigar o realizador, por alegações de que o cineasta agrediu e forçou uma atriz a filmar cenas de cariz sexual, que não constavam do argumento.

Na altura, num comunicado divulgado através da sua produtora, o realizador de "Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera" admitiu que poderia ter atingido a atriz, mas não tinha "memória precisa" do incidente, tendo negado ter forçado a intérprete a filmar cenas fora do argumento, no que classificou como um "mal-entendido".

A Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Cinema da Coreia do Sul realçou que a atriz, cujo nome não foi divulgado, abandonou o filme "Moebius", de 2013, depois da alegada agressão.

Inicialmente, a exibição do filme "Moebius" foi proibida na Coreia do Sul, onde foi considerado obsceno. A estreia do filme foi autorizada depois de terem sido retiradas algumas cenas controversas. A película foi apresentada no festival de Veneza em 2013.

A carreira de Kim Ki-duk na Coreia do Sul acabou por terminar em 2017/18, depois de três atrizes terem feito novas acusações contra o realizador.

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