Coronavírus

Covid-19. Itália pode ser em breve o país da Europa com maior número de mortes

Claudio Furlan

O vírus espalhou-se rápida e amplamente e a Itália somou 28.000 mortos desde o dia 1 de setembro.

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Itália poderá, em breve, reclamar o recorde de maior número de mortes pelo novo coronavírus na Europa, depois do sistema de saúde ter fracassado, de novo, na proteção aos idosos.

Segundo a Associated Press (AP), o Governo italiano demorou a impor novas restrições nesta vaga da pandemia.

Itália foi o primeiro país do Ocidente a ser atacado pela covid-19 e, após sofrer um grande número de mortes na primavera, controlou as infeções.

O país beneficiou de tempo e experiência para poder responder à nova vaga que surgiu no outono, ficando mesmo atrás da Espanha, França e Alemanha no registo de novos grandes grupos de infeções.

No entanto, o vírus espalhou-se rápida e amplamente e a Itália somou 28.000 mortos desde o dia 01 de setembro.

"Obviamente, é preciso haver alguma reflexão", disse Guido Rasi, ex-diretor executivo da Agência Farmacêutica Europeia, à TV estatal, citado pela AP, depois de a Itália ter contabilizado um recorde de 993 mortes em um dia.

O especialista salientou que "este número, de quase 1.000 mortos em 24 horas, é muito maior do que a média europeia".

Itália acrescentou mais 761 vítimas na sexta-feira, elevando o total oficial para 63.387, pouco antes dos 63.603 mortos da Grã-Bretanha, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Mas, ambos os números poderão subestimar muito o número real, devido a infeções perdidas, testes limitados e diferentes critérios de contagem, refere a AP.

Ainda assim, Itália poderia ultrapassar a Grã-Bretanha, apesar de ter seis milhões de habitantes a menos do que os 66 milhões do Reino Unido, e ficaria atrás apenas dos muito maiores EUA, Brasil, Índia e México.

As autoridades de saúde pública argumentam que Itália tem a segunda população mais velha do mundo, depois do Japão, e os idosos são os mais vulneráveis ao vírus.

No entanto, os analistas lembram que a Alemanha tem uma demografia semelhante e o seu número de mortos é um terço do da Itália, apesar da sua população ser superior, registando 21.000 mortos no total

Para os especialistas, a Alemanha não só investiu mais nos cuidados de saúde a longo prazo, como impôs um bloqueio anterior e mais leve neste outono e agora está prestes a restringi-lo. "Se agir mais cedo, mesmo um pouco mais leve, as medidas funcionam melhor do que agir duramente mais tarde ou tarde demais", disse Matteo Villa, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos Internacionais.

Itália, disse o responsável, esperou muito tempo para impor restrições e não reforçou seu sistema médico o suficiente durante a calmaria do verão.

"Pedimos um bloqueio no início de novembro, porque a situação dentro dos hospitais já era difícil", disse Filippo Anelli, chefe da associação de médicos do país, citado pela AP.

Mas, o Governo italiano resistiu em impor novamente um bloqueio nacional no outono, sabendo do impacto devastador sobre uma economia que começava a voltar à vida após o confinamento da primavera.

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