Coronavírus

Bolsonaro suspende compra de seringas para vacinação contra a covid-19

UESLEI MARCELINO

O Presidente brasileiro disse que os preços das seringas dispararam, então "o Ministério da Saúde suspendeu a compra até que os preços voltem ao normal".

Especial Coronavírus

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, suspendeu esta quarta-feira a compra de centenas de milhões de seringas quando o país necessitará para lançar uma campanha nacional de vacinação contra a covid-19.

Bolsonaro disse nos seus canais nas redes sociais que os preços das seringas dispararam, então "o Ministério da Saúde suspendeu a compra até que os preços voltem ao normal".

O Presidente brasileiro também informou que os estados e municípios possuem estoque suficiente para lidar com a primeira fase da próxima campanha de imunização "porque a quantidade de vacinas no início não é grande".

O Brasil realizou um processo de licitação para comprar 331 milhões de seringas em 16 de dezembro, mas recebeu propostas de empresas aptas a fornecerem apenas oito milhões de unidades até ao prazo final de 29 de dezembro, aparentemente porque as empresas estavam exigindo um preço mais alto do que o montante máximo estabelecido pelo Governo.

Embora outros países da América do Sul tenham iniciado a vacinação, o Ministério da Saúde brasileiro não forneceu uma data para iniciar o seu programa de imunização contra o novo coronavírus.

O órgão regulador de medicamentos do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda não aprovou nenhuma vacina contra a covid-19.

Autoridades do estado mais populoso do Brasil, São Paulo, planeiam iniciar a vacinação em 25 de janeiro se a Anvisa aprovar a vacina CoronaVac, desenvolvida na China pelo laboratório Sinovac.

Por sua vez, o Governo central brasileiro espera receber dois milhões de vacinas da Universidade de Oxford e AstraZeneca fabricada na Índia ainda este mês e pode iniciar a vacinação em fevereiro.

As autoridades federais requisitaram esta semana 30 milhões de seringas de três fabricantes de dispositivos médicos, embora os detalhes ainda não tenham sido acertados, de acordo com um porta-voz da Associação Brasileira dos Fabricantes de Dispositivos Médicos, que representa as empresas do setor.

O porta-voz disse que a suspensão da licitação das seringas surpreendeu os três principais produtores brasileiros que negoceiam com o Governo.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (197.732, em mais de 7,8 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.869.674 mortos resultantes de mais de 86,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.