Coronavírus

Covid-19. CGTP e UGT defendem garantias para trabalhadores e melhores transportes

Rafael Marchante

CGTP manifestou ao Governo a sua preocupação relativamente aos empregos e às remunerações dos trabalhadores devido a novo confinamento.

Especial Coronavírus

As duas centrais sindicais defenderam esta sexta-feira a necessidade de garantir os empregos e os salários perante a possibilidade de endurecimento das medidas para reduzir a propagação da pandemia de covid-19 e apontaram os transportes públicos como fonte de contágio.

A posição da CGTP e da UGT foi assumida após uma reunião de concertação social, convocada de emergência pelo Governo, que admitiu aos parceiros sociais a possibilidade de endurecimento das restrições para travar o crescimento número de infetados, que tem vindo a bater recordes nos últimos dias.

Face à possibilidade de novo confinamento idêntico ao de abril, a CGTP manifestou ao Governo a sua preocupação relativamente aos empregos e às remunerações dos trabalhadores.

"Dissemos ao Governo que existe uma necessidade imperiosa de manter o emprego e proteger os trabalhadores que o perderam na sequência da pandemia e ao mesmo tempo garantir as suas remunerações para que possam manter as condições de vida e contribuir para a melhoria da economia", disse à agência Lusa Ana Pires, da comissão executiva da CGTP.

A sindicalista manifestou ainda preocupação relativamente às condições de saúde e segurança em vigor nos locais de trabalho, nomeadamente a insuficiência de equipamentos de proteção individual contra a covid-19, e relativamente às condições de deslocação dos trabalhadores.

"Os transportes públicos, essenciais para os trabalhadores se deslocarem para os respetivos locais de trabalho, continuam a ser um problema nesta fase de pandemia, porque são insuficientes e não garantem o distanciamento necessário", afirmou Ana Pires.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, também referiu que os transportes públicos "andam cheios", não garantindo o distanciamento e facilitando o contágio.

Carlos Silva gravou um pequeno vídeo que enviou aos jornalistas onde desafiou o Governo e as empresas a voltarem-se de novo para o teletrabalho como forma de travar a pandemia.

Segundo o sindicalista, face ao aumento de casos de infeção por covid-19 verificado nos últimos dias, ultrapassando os 10.000 casos diários, a UGT "aceita o endurecimento das medidas para reduzir a propagação da pandemia".

Carlos Silva manifestou "a total disponibilidade e apoio da UGT a medidas de apoio aos trabalhadores e às empresas", desde que não prejudiquem os trabalhadores nem contribuam para a estagnação da economia.

A CGTP e a UGT defenderam ainda a necessidade de reforçar devidamente o Serviço Nacional de Saúde e de valorizar os seus profissionais.