Coronavírus

Covid-19. PCP quer consultas de saúde mental e psicólogos nos centros de saúde

TIAGO PETINGA

O projeto de resolução foi apresentado na Assembleia da República.

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O PCP defendeu este sábado que os cuidados de saúde primários devem ter um "maior envolvimento" na prevenção e tratamento de doenças mentais, através da contratação de psicólogos e da disponibilização de consultas dedicadas ao diagnóstico precoce.

Num projeto de resolução apresentado na Assembleia da República, que não tem força de lei, os comunistas recomendam ao Governo que "promova um maior envolvimento dos cuidados de saúde primários na prevenção e tratamento das perturbações depressivas e do humor, através de uma consulta, em cada um dos centros de saúde, especificamente dedicada ao diagnóstico precoce".

O PCP também quer que o Governo "dote adequadamente os cuidados de saúde primários em número de profissionais especialistas em saúde mental, nomeadamente de psicólogos e enfermeiros especialistas em saúde mental e psiquiatria, em particular nas regiões mais carenciadas".

O texto recomenda também "uma melhor articulação com as restantes unidades funcionais e demais serviços locais de saúde mental", bem como a definição do "papel das unidades de cuidados na comunidade na promoção da saúde mental e prevenção da doença mental".

Em relação aos mais novos, o PCP pede que seja criada também uma consulta "especificamente dedicada a uma intervenção precoce na saúde mental da primeira infância e adolescência" nos centros de saúde, e que exista, em contexto escolar, uma maior articulação com as equipas de saúde mental da infância e adolescência.

Os deputados comunistas recomendam ainda que o Governo crie "um plano específico de prevenção do suicídio reativo a crises económicas e sociais, criando apoios sociais que revertam a situação", e que promova "iniciativas para eliminação do estigma e discriminação das pessoas com doença mental, por forma a integrá-las na comunidade".

No projeto de resolução, o PCP considera "natural e compreensível que, no atual contexto da pandemia covid-19, se intensifiquem e ampliem" problemas psicológicos, sendo que "o medo de ser infetado, de contagiar quem nos está mais próximo, de um eventual internamento e do sofrimento que lhe está associado, e o inevitável medo da morte, tornam expectável e até natural o agravamento e aumento dos problemas de saúde psicológica".

"É razoável admitir que a pandemia covid-19 poderá comprometer a saúde mental, pelo que é indispensável que estejamos devidamente preparados para dar resposta a um problema cuja verdadeira dimensão está ainda por conhecer", salienta, acrescentando que "devem ser desenvolvidos instrumentos de resposta, quer no atual contexto quer no período pós pandemia".

Para o PCP, é ainda "absolutamente indispensável mitigar o impacto que a pandemia tem na saúde mental, e encontrar respostas adequadas que contribuam para a saúde psicológica e o bem-estar, no contexto covid-19".