Coronavírus

Covid-19. Twitter apaga publicação de líder do Irão sobre vacinas ocidentais

Stephane Mahe

Ali Khamenei anunciou na sua conta a proibição de vacinas oriundas do Reino Unido e EUA.

Especial Coronavírus

A empresa que rege a rede social Twitter apagou uma mensagem do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, que dizia não ser possível confiar nas vacinas norte-americanas e britânicas contra o novo coronavírus.

O aiatola Ali Khamenei colocou na sexta-feira uma mensagem em inglês na sua conta de Twitter anunciando a interdição de compra de vacinas contra a covid-19 fabricadas nos Estados Unidos ou no Reino Unido, alegando que elas poderiam ser usadas para "contaminar" o seu país.

"É proibido importar vacinas feitas nos Estados Unidos ou no Reino Unido. Não podemos confiar nelas, de todo. É possível que eles queiram contaminar outros países", dizia a mensagem, que reproduzia um trecho de um discurso televisivo de Khamenei.

"Tendo em conta a nossa experiência com sangue francês contaminado com VIH (vírus da imunodeficiência humana), as vacinas francesas também não são confiáveis", acrescentou o líder supremo do Irão, referindo o caso de sangue contaminado em França nos anos 1980-1990, depois de terem sido detetadas infeções por transfusão de sangue.

A empresa que gere o Twitter apagou hoje a mensagem ao abrigo da decisão, anunciada em dezembro, de tomar medidas contra potenciais "informações falsas ou enganosas" sobre as vacinas contra a covid-19.

"Este 'tweet' deixa de estar disponível porque violou as regras do Twitter", disse uma mensagem da empresa colocada na conta de Khamenei.

O Irão proibiu as vacinas Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca/Oxford que foram lançadas ou estão prestes a ser lançadas na Europa e nos Estados Unidos.

Em dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concedeu a primeira aprovação de emergência para a vacina Pfizer/BioNTech, facilitando o caminho para a sua utilização pelos países que o desejem fazer.

O Irão é o país do Médio Oriente mais afetado pela pandemia de covid-19, que já matou mais de 56.000 pessoas no país, com mais de 1,2 milhão de pessoas infetadas, de acordo com estatísticas oficiais.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.914.057 mortos resultantes de mais de 88 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.