Coronavírus

Hospitais no limite. Ministra da Saúde admite avançar com requisição civil 

ANDRÉ KOSTERS

Situação em Lisboa é a mais preocupante

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A ministra da Saúde admite avançar com uma requisição civil, perante o aumento de internamentos nos hospitais.

Os hospitais da região Centro e do Norte do país começam a acusar a pressão da subida de casos de covid-19, na última semana, mas é em Lisboa que a situação continua mais preocupante.

Marta Temido disse que há 19 convenções celebradas no Norte do país com outros setores (privado e social) para garantir 150 camas para doentes covid e outras tantas para doentes não covid e reconheceu que em Lisboa a capacidade é menor, com cerca de 100 camas e muito espalhadas por várias instituições, o que "dificulta a gestão dos processos dos doentes".

"Há outros mecanismos que podemos lançar mão caso seja necessário", disse a ministra, acrescentando que o Governo está a equacionar outras soluções em casos em que não é possível chegar a acordo.

"Estamos a equacionar outras soluções, nalguns casos o acordo não se afigura possível e precisamos garantir que todo o sistema de saúde está a disposição", afirmou a ministra, frisando que "é vital" os vários setores ajudarem.

Questionada diretamente sobre a requisição civil, a ministra lembrou que a utilização da capacidade de outros setores, preferencialmente por acordo, "está prevista no decreto presidencial que enquadra o estado de emergência" e sublinhou: "Não hesitaremos em lançar mão desse mecanismo, quando não conseguirmos, por acordo, nunca dispensando a justa compensação prevista nos termos da lei da requisição civil, ultrapassar as dificuldades".

"Acima de tudo estamos cá para responder aos portugueses", disse Marta Temido, que falava durante uma visita ao polo de Lisboa do Hospital das Forças Armadas.

Questionada sobre os hospitais de campanha, a ministra explicou que "há várias estruturas com várias tipologias de resposta", desde o apoio à retaguarda, maioritariamente para questões sociais e de alta social, estruturas medicalizadas, como o centro de apoio médico em Belém, das Forças Armadas, e estruturas hospitalares para agudos.

A governante sublinhou que "só baixando os níveis de transmissão é possível ultrapassar a situação" e lembrou que todos os países da UE estão a assistir a um aumento de casos, independentemente das medidas mais restritivas que aplicaram em dezembro.

"Coincide com alguma abertura que aconteceu no período das festas natalícias, mas acontece por força daquilo que é a progressão da doença e este período climatérico que estamos a atravessar, muito castigado por infeções respiratórias. Sabíamos que este mês ia ser extraordinariamente difícil", afirmou.

Esta semana, espera-se um aumento ainda maior no número de internamentos.

Hospitais no limite

Para o nível máximo de contingência, o Hospital Beatriz Ângelo em Loures tinha previstas 68 camas dedicadas à covid-19.

Esta segunda-feira, estavam internadas 145 pessoas com a doença e nos cuidados intensivos havia apenas duas vagas. Nove doentes já foram transferidos, quatro para o Hospital São João, no Porto, e cinco para o Hospital das Forças Armadas.

No Centro Hospitalar de Lisboa Central, onde pertencem o São José, o Curry Cabral e D. Estefânia, há oito enfermarias quase totalmente dedicadas à covid-19.

No Amadora-Sintra, o fim de semana foi exigente e o hospital chegou a pedir o desvio de doentes não urgentes. O pedido foi recusado pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes, uma vez que todos os outros hospitais da região também estavam na mesma situação.

Esta segunda-feira, havia seis vagas em enfermaria e três em cuidados intensivos.

A situação é mais estável no Porto, mas há três dias que o número de internamentos está a subir e deve aumentar ainda mais durante esta semana.

No Algarve, já houve necessidade de avançar para um hospital de campanha com 100 camas, que já está a receber doentes, até da região de Lisboa.

Portugal com mais 122 mortes e 5.604 casos nas últimas 24 horas

Portugal regista esta segunda-feira mais 122 mortes relacionadas com a covid-19 e 5.604 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o relatório diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

No total, desde março, Portugal já registou 7.925 mortes e 489.293 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando esta segunda-feira ativos 109.312 casos, mais 2.534 em relação a domingo.

O boletim epidemiológico da DGS revela que estão internadas 3.983 pessoas, mais 213 do que domingo, e 567 em cuidados intensivos, mais 9.

As autoridades de saúde têm sob vigilância 120.292 contactos, mais 3.082 relativamente a domingo.

O boletim revela ainda que foram dados como recuperados mais 2.948 doentes. Desde o início da epidemia em Portugal, em março, já recuperaram 372.056 pessoas.