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Covid-19. PSD pede "mudança radical" e BE sugere que Governo "não quer gastar " o necessário

ANTÓNIO COTRIM

Posições críticas assumidas durante debate parlamentar sobre o pedido de autorização do Presidente da República para renovar o estado de emergência.

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O PSD pediu esta quarta-feira uma "mudança radical na resposta à covid-19", com testes sistemáticos e mapeamento dos lares, enquanto o BE sugeriu que o Governo "não quer gastar o dinheiro necessário" para minimizar os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Estas posições críticas foram assumidas durante o debate parlamentar sobre o pedido de autorização do Presidente da República para renovar o estado de emergência por mais quinze dias, até 30 de janeiro, em que o deputado e secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, foi o primeiro a intervir, considerando que o executivo tem atuado "com coragem, ponderação, serenidade e bom senso" no combate à covid-19.

"Não basta confinar, é preciso mudar"

Em seguida, o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite reiterou o apoio do seu partido à renovação do estado de emergência, afirmando que "o momento exige responsabilidade" e que "o confinamento é agora proposto pelos especialistas como uma necessidade imperiosa", mas manifestou "divergências profundas" em relação à estratégia de resposta à covid-19, sustentando que o atual "descontrolo de novas infeções" poderia ter sido evitado.

"Não basta confinar, é preciso mudar. É fundamental encetar uma mudança radical na resposta à covid-19 para evitar uma nova subida de casos nos próximos meses pós-confinamento. Com recurso à ciência e olhando para os exemplos de países que têm respondido com sucesso à pandemia, desde a Dinamarca à Coreia do Sul, fica evidente que é possível fazer melhor", defendeu.

O social-democrata referiu que estes países fizeram "quatro a cinco vezes mais" testes do que Portugal, "testando sistematicamente, semanalmente em alguns casos, grupos de risco como profissionais das escolas, dos lares, os profissionais de saúde", e que além disso "identificam proativamente todas as cadeias de infeção e asseguram o isolamento de todos os cidadãos infetados e suspeitos".

"Testar, identificar, isolar. No caso português, urge igualmente atuar onde se encontram os maiores focos de mortalidade, como é o caso dos lares. Mapear os lares, sejam legais ou ilegais, e evacua de imediato os idosos residentes nos lares que não têm condições adequadas", acrescentou o médico e deputado, salientando que o PSD propôs estas medidas em novembro.

BE critica ação do Governo

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, também criticou a ação do Governo, sobretudo por omissão, justificando assim que o seu partido não apoie o diploma do Presidente da República de renovação do estado de emergência.

Ressalvando que "o BE não é contra esse pedido", Pedro Filipe Soares argumentou que "o Governo tem falhado na aplicação dos estados de emergência" e que "têm tardado" os apoios à economia, a contratação de profissionais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a requisição de meios privados do setor da saúde.

O líder parlamentar do BE disse que "há pessoas que ainda não receberam os apoios prometidos no confinamento de março passado", que no SNS "as contratações são a conta gotas" e deixou ainda "uma suspeição", de que "o Governo não está tão empenhado como devia em minorar os efeitos da pandemia na economia e na vida das pessoas, porventura não quer gastar o dinheiro necessário".

"Pela frente, esperam-nos meses muito difíceis"

Na abertura deste debate, José Luís Carneiro apontou como "inevitável" o recurso a "um novo confinamento, equivalente ao que foi adotado entre março e abril de 2020", face à subida de novos casos, de internamentos e de mortes de doentes com covid-19, que no seu entender são "consequência do aumento do número de contactos no decurso do Natal e do Ano Novo e das condições climatéricas".

O deputado e secretário-geral adjunto do PS reafirmou que o seu partido "apoia a renovação do estado de emergência e o reforço das medidas de confinamento" e aproveitou para contestar por antecipação críticas aos meios do SNS, alegando que este "tem sido robustecido, caso contrário, teria colapsado na primeira fase desta pandemia".

"Temos provas dadas por parte do Governo. Sabemos porque quer e para que quer o estado de emergência: para salvar vidas, para proteger a saúde dos portugueses, para manter viva a economia, a cultura e a sociedade, para dar esperança aos mais jovens e aos mais velhos, para lhes dizer que ainda temos muito futuro. Pela frente, esperam-nos meses muito difíceis. Há que decidir com coragem, ponderação, serenidade e bom senso, como o senhor primeiro-ministro já mostrou que sabe fazer. Juntos, vamos vencer", declarou o socialista.