Coronavírus

Novas medidas entram em vigor às 00:00 desta quarta-feira. Costa admite fechar escolas

MIGUEL A. LOPES

O primeiro-ministro em debate no Parlamento com a pandemia em níveis máximos.

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O primeiro-ministro teve esta terça-feira o primeiro debate do ano sobre política geral no Parlamento, numa altura em que a epidemia de covid-19 atingiu níveis máximos em Portugal, com o Governo a agravar sucessivamente as medidas de confinamento.

António Costa afirmou que as medidas anunciadas ontem (que pode consultar aqui) entram em vigor às 00:00 desta quarta-feira.

"O senhor Presidente da República já promulgou o nosso decreto lei. Portanto, o decreto será publicado ainda hoje [em Diário da República] e entrará em vigor às 00:00 de quarta-feira", declarou António Costa.

António Costa disse também que amanhã vai arrancar "uma campanha de testes rápidos em todas as escolas para reforçar a segurança nas escolas", um anúncio que tinha sido feito horas antes pelos Ministérios da Saúde e Educação.

António Costa admite fechar escolas se estirpe inglesa se tornar dominante

"Neste momento, estamos a bater-nos para manter as escolas abertas, já que sabemos o enorme custo social que representa fechá-las. Na quarta-feira, vamos iniciar uma campanha de testes rápidos em todas as escolas, tendo em vista reforçar a segurança", disse António Costa.

"Se para a semana ou daqui a 15 dias se souber, ou até mesmo se já nesta quarta-feira se souber, por exemplo, que a estirpe inglesa se tornou dominante no país, então, muito provavelmente, vamos ter mesmo de fechar as escolas", advertiu depois o líder do Executivo.

O primeiro-ministro descarta, para já, avançar com a requisição civil dos hospitais privados e insiste que, até ao momento, os acordos com o setor privado e social estão a ter resultados.

"Nas circunstâncias em que estamos hoje, nenhum de nós tinha defendido aquelas medidas" no Natal

O primeiro-ministro, António Costa, insiste que as medidas tomadas no Natal e Ano Novo foram as adequadas, face aos dados que estavam disponíveis sobre a evolução da pandemia.

"Posso assegurar que nas circunstâncias em que estamos hoje, nenhum de nós tinha defendido aquelas medidas", disse o primeiro-ministro, referindo-se ao Natal e Ano Novo.

"Se a culpa foi minha, ofereço-me ao sacrifício", acrescentou.

Apesar de dizer que se "oferece ao sacrifício", António Costa rejeitou culpas pela atual situação, depois de ter sido confrontado pelo CDS com o aumento de casos depois do período de festas.

PSD sugere falta de confiança dos portugueses no Governo para o combate à epidemia

O líder parlamentar do PSD acusou o Governo de ter sido vago e de ter improvisado na adoção de medidas no combate à epidemia da covid-19, sugerindo que já perdeu a confiança dos portugueses.

Esta posição foi transmitida por Adão Silva na abertura do debate, depois de ter coincidido com António Costa na análise à gravidade da situação sanitária em Portugal e nos elogios ao "altruísmo" dos profissionais de saúde.

Na parte final da sua interpelação ao líder do executivo, o presidente do Grupo Parlamentar do PSD passou às críticas ao Governo.

"O Governo não cumpriu o seu papel, foi vago, tendo anunciado um confinamento de faz de conta, com tantas e tantas exceções de regras - regras que deveriam ter sido claras, límpidas, entendíveis. O próprio Governo foi o primeiro a reconhecer que as regras não estavam bem delimitadas nem desenhadas e, por isso, de sexta-feira para segunda-feira, foi preciso corrigir aquilo que tinha ficado errado", apontou o presidente da bancada social-democrata.

Em estilo de pergunta, Adão Silva perguntou a António Costa se, no combate à covid-19, "houve falta de planeamento da parte do Governo e se houve um exercício muito de improviso"?

"Há já uma falta de credibilidade da parte do Governo e de vossa excelência em relação aos portugueses? Ou, pelo contrário, há falta de confiança dos portugueses em relação a este Governo?", perguntou.

MIGUEL A. LOPES

BE insiste na requisição civil e critica "hipocrisia" de quem tenta "atirar culpas"

A coordenadora do BE voltou hoje a apelar diretamente ao primeiro-ministro para que use a requisição civil para ajudar o SNS, criticando ainda a "hipocrisia" de quem tenta "atirar culpas" no momento mais grave da pandemia no país.

"Quando os privados depois de meses de negociação não são capazes de por a disponibilidade do estado sequer 10% da sua capacidade, se não é agora que os requisitamos, quando? Quando temos hospitais de campanha do SNS que não podem abrir porque não têm profissionais suficientes mas há profissionais e instalações no privado e não os requisitamos agora, senão agora, quando? Quando?", questionou a deputada.

Catarina Martins voltou a insistir na necessidade de requisitar toda a capacidade hospitalar instalada no país, num dia em que Portugal voltou a bater recordes, com 218 mortos por covid-19.

A bloquista argumentou ainda que "o que os privados estão a pôr ao serviço do país por acordo não chega a 8% da sua capacidade, são apenas 800 camas não covid e 80 camas covid", rematando para António Costa: "não chega senhor primeiro ministro, não chega".

Mas Catarina Martins abriu a sua intervenção, depois de o primeiro-ministro ter ouvido bastantes críticas do líder da bancada social-democrata, criticando a "hipocrisia" de quem tenta "atirar culpas".

"Tivemos divergências no vários momentos e a democracia não pára sobre o que fazer, mas é uma imensa hipocrisia tentarmos atirar culpas de um lado para o outro como se alguém aqui tivesse uma solução milagrosa para o que está a acontecer", atirou, reparo que mereceu reação por parte de alguns deputados do PSD.

Catarina Martins garantiu que é importante discutir divergências "mas o que a responsabilidade nos pede neste momento não é o passa culpas mas sim o debater as soluções".

MIGUEL A. LOPES

Jerónimo pede contas a Costa sobre medidas contra crise, mas fica desiludido

O líder do PCP pediu contas ao primeiro-ministro sobre as medidas do Orçamento do Estado de 2021 para responder à pandemia e admitiu que "as explicações não são totalmente convincentes".

Jerónimo de Sousa pediu a António Costa um "ponto de situação" de medidas, algumas delas viabilizadas pelo PCP, e afirmou que se os problemas do país devido à crise pandémica "são amplos e profundos", então as "respostas também têm que o ser".

O deputado e secretário-geral dos comunistas enumerou várias medidas, entre elas o reforço do pessoal de saúde pública e nos cuidados de saúde primários, o pleno aproveitamento do hospital militar de Belém, em Lisboa.

"Porque não basta ter mais camas, é preciso ter profissionais de saúde", disse.

Na resposta, António Costa falou de decisões que decorrem do Orçamento do Estado como pagamento a 100% do 'lay off", o aumento extraordinário das pensões e o reforço dos meios do Serviço Nacional de Saúde.

E deu o exemplo do número de médicos nos serviços públicos que, disse, "efetivamente" são hoje mais do que em janeiro de 2020, sem, no entanto, dar o número.

"É esse esforço que vamos continuar e que foi viabilizado com o contributo do PCP", prometeu o chefe do Governo, que depois ouviu um comentário.

O líder comunista agradeceu, mas admitiu: "são explicações que não são totalmente convincentes."

MIGUEL A. LOPES

Cotrim ataca Costa por culpar portugueses por agravamento da epidemia

O deputado da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, criticou o "irritado" primeiro-ministro por ter "culpado os portugueses" pelo agravamento da epidemia de covid-19, mas apontou essa "culpa" ao Governo e a António Costa.

Cotrim Figueiredo admitiu que estava ali de "coração pesado" com os números de casos e mortos de hoje e criticou Costa por ter aparecido, na segunda-feira, no final do Conselho de Ministros, para apertar o confinamento geral, muito "irritado" a atribuir "culpas" aos portugueses.

Pelo contrário, o deputado da IL enumerou várias medidas prometidas e não executadas, como a falta de computadores nas escolas, por que se atrasaram os instrumentos de capitalização das empresas ou ainda o reforço de meios para fazer vigilância epidemiológica.

E, por fim, perguntou: "Acha que é por culpa dos portugueses que nada disto foi feito?"

A resposta de António Costa foi rápida e curta, para dizer que "mesmo sendo um otimista", não podia "estar sorridente" e à acusação de Cotrim de Figueiredo respondeu com um "não": "Se rever as imagens e verificar o que eu disse, verá que não estava irritado."

MIGUEL A. LOPES

PEV preocupado com médicos internos pede adiamento do exame final

O Partido Ecologista Os Verdes (PEV) mostrou-se preocupado com a situação dos médicos internos que, além do combate à pandemia da covid-19, têm de se preparar para o exame de fim de internato da especialidade já em abril.

"Muitos destes jovens médicos, nomeadamente os das especialidades que asseguram a linha da frente na resposta à covid-19, estão à beira da exaustão", afirmou o deputado José Luís Ferreira, referindo que a insto acresce ainda a avaliação final do internato.

Os Verdes pediram também o adiamento da data do exame de especialidade, à semelhança do que aconteceu no ano passado.
"Seria sensato assegurar que [o exame] decorra numa fase mais branda do contágio", considerou José Luís Ferreira, questionando António Costa se haveria disponibilidade, da parte do Governo, para reagendar o exame de abril para junho.

"Seria uma forma de não perturbar o combate à covid-19 numa fase tão crítica como esta, mas também um ato de justiça e a melhor demonstração de reconhecimento e respeito que poderá ser feita a estes jovens que tanto têm dado de si no combate", acrescentou.

O deputado d'Os Verdes apresentou diversos fatores para justificar esse adiamento, desde a pressão a que os médicos internos estão sujeitos devido à atual situação epidemiológica e à necessidade de concentrar todos os esforços no combate.

"São eles que asseguram muitas das noites, fins de semana, e que não conseguem usar os dias de descanso a que têm direito. Como se compreende, esta sobrecarga, somada ao próprio estado anímico gerado pela situação, não é o quadro mais favorável para elaborar o relatório final a que estão obrigados e a estudar para um exame que tem grande importância nas suas carreiras", considerou.

Por outro lado, acrescentou, durante os três dias que duram os exames estes médicos terão de ser temporariamente desviados da linha da frente, bem como os médicos tutores e os membros do júri.

A tudo isto, a resposta de António Costa foi curta: "Quando debatemos aqui a lei do Orçamento do Estado para este ano, a Assembleia da República fez questão de fixar o calendário concreto para todo o processo de contratação, designadamente a data dos exames".

Durante a sua interpelação ao primeiro-ministro, Os Verdes manifestaram-se ainda solidários com os profissionais de saúde, reforçando a necessidade de "tomar medidas que contribuam efetivamente para solucionar o problema e não para o agravar", começando, desde logo, por resolver a questão da falta de profissionais.

MIGUEL A. LOPES

Portugal ultrapassa pela primeira vez as 200 mortes diárias por covid-19

Portugal regista esta terça-feira mais 218 mortes relacionadas com a covid-19 - um novo máximo diário - e 10.455 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde.

O máximo diário de mortes tinha sido registado esta segunda-feira, com 167 óbitos a lamentar.

O máximo de casos de infeção foi de 10.947 registado a 16 de janeiro.

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 9.246 mortes e 566.958 casos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, estando esta terça-feira ativos 135.841 casos, menos 45 em relação a ontem.

Quanto aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico da DGS revela que estão internados 5.291 doentes, mais 126 em relação a segunda-feira, das quais 670 em cuidados intensivos, mais 6.

As autoridades de saúde têm sob vigilância 174.355 contactos, mais 8.120 relativamente a ontem.

O boletim revela ainda que foram dados como recuperados mais 10.282 doentes. Desde o início da pandemia em Portugal, em março, já recuperaram 421.871 pessoas.

Pedro Nunes

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