Coronavírus

OMS diz que vacina da AstraZeneca é eficaz para maiores de 65 anos

Peter Cziborra

Organização diz ainda que manterá a eficácia contra as novas variantes.

A Organização Mundial da Saúde afirmou esta quarta-feira que a vacina da AstraZeneca contra a covid-19 é eficaz para a população acima dos 65 anos. Os peritos da OMS acrescentam ainda que a vacina também mantém a sua eficácia contra as novas variantes do vírus.

A posição foi transmitida em conferência de imprensa, no seguimento de uma reunião do grupo realizada na segunda-feira, para analisar a eficácia da vacina.

Este esclarecimento é feito depois de vários países europeus, incluindo Portugal, terem recomendado a administração desta vacina apenas a pessoas com menos de 65 ou até 55 anos, pela falta de estudos acerca da eficácia nesta faixa etária.

O que tinha recomendado a DGS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) considerou, na segunda-feira, que, até surgirem novos dados, a vacina da AstraZeneca deveria ser preferencialmente utilizada para pessoas até aos 65 anos de idade.

Numa norma divulgada no seu 'site', a DGS acrescentou, no entanto, que "em nenhuma situação deve a vacinação de uma pessoa com 65 ou mais anos de idade ser atrasada" se só estiver disponível esta vacina.

O esquema de vacinação com a vacina da AstraZeneca

Nas vacinas mRNA é introduzido no corpo um mensageiro de ácido ribonucleico (mRNA na sigla em inglês), que contém informação genética sobre o vírus e engana o corpo para que seja ele próprio a produzir a proteína do agressor.

Na norma divulgada, a DGS informa que o esquema vacinal recomendado para esta vacina da AstraZeneca é de duas doses com intervalo de 12 semanas e lembra que, se após a 1.ª dose for confirmada infeção por SARS-CoV-2, "não deve ser administrada a 2.ª dose".

Decisão da DGS sobre a vacina da AstraZeneca é "baseada na prudência"

Luís Graça, imunologista e investigador do Instituto de Medicina Molecular, explica que se trata de uma “decisão baseada em prudência” e destaca que a vacina é segura e foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento para todas as faixas etárias.

“Os ensaios clínicos não mostraram que há menos eficácia nessa idade. O que acontece é que, como há poucas pessoas a partir dessa idade [nos ensaios clínicos], nós não temos noção de qual verdadeiramente é o peso da eficácia nesta idade. No entanto, há dados que mostram que pessoas dessa idades conseguem fazer anticorpos semelhantes a pessoas mais novas e, por essa razão, as autoridades do medicamento – a Agência Europeia do Medicamento – não desaconselhou a utilização nestas idades”, esclarece em entrevista à Edição da Tarde.

Luís Graça reforça que “não é prudência em relação à segurança da vacina” e que o fármaco desenvolvido pela AstraZeneca/Oxford “é uma vacina muito segura”. No Reino Unido, este fármaco tem sido aplicado a todos os indivíduos sem qualquer distinção de idade.

Foi também o Reino Unido que anunciou, esta segunda-feira, a possibilidade de aplicar uma terceira dose da vacina de forma a aumentar a proteção contra diferentes variantes do vírus, como a que foi identificada na África do Sul.

África do Sul interrompe uso da vacina da AstraZeneca

A África do Sul interrompeu o uso da vacina da AstraZeneca no país depois de um estudo realizado por uma universidade sul-africana e da própria universidade de Oxford ter indicado que a vacina não é eficaz para a variante prevalente no país. Esta mutação, que torna o vírus mais contagiosos, está presente em mais de 40 países, incluindo Portugal.

O estudo indica que a vacina da AstraZeneca apenas tem 22% de eficácia contra casos ligeiros ou moderados de infeção pela variante da África do Sul. Um valor considerado baixo, quando comparado com os avançados pela Pfizer, pela Moderna e pela própria vacina da AstraZeneca noutras variantes – como a brasileira e a britânica.

Covid-19. Vacina AstraZeneca com "100% de proteção" para casos graves

A farmacêutica AstraZeneca anunciou na passada quarta-feira que os dados da fase final de ensaios clínicos da eficácia da sua vacina contra a covid-19 indicam que esta dá "100% de proteção" para casos graves, hospitalizações e mortes.

A conclusão consta de um estudo preliminar publicado pela Universidade de Oxford, que colaborou no desenvolvimento da vacina, elaborado a partir de dados da fase final de ensaios clínicos do imunizante.

O estudo indica não se terem registado casos graves ou de hospitalização de pacientes, 22 dias depois de administrada a primeira dose da vacina.

Vacina da AstraZeneca reduz transmissão do novo coronavírus após uma dose

O estudo da Universidade de Oxford, que deverá ser ainda validado por pares antes da publicação, revela não apenas que as pessoas vacinadas estão protegidas da doença, como são menos capazes de a transmitir a outras, noticia a agência France-Presse.

O estudo mostra uma eficácia de 76% contra infeções após a primeira dose da vacina, eficácia que se mantém por três meses. A eficácia aumenta para 82% após uma segunda dose tomada três meses depois.