Coronavírus

Aumento de pessoas com deficiência desempregadas preocupa Governo

Lusa

Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência diz que os números do desemprego para pessoas sem e com deficiência não se recuperam com a mesma simplicidade porque não funcionam com a mesma linearidade.

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O número de pessoas com deficiência inscritas nos centros de emprego aumentou com a covid-19, uma realidade preocupante por se tratar de um trabalho "não tão automático" como o de pessoas sem deficiência, disse esta quinta-feira a secretária de Estado.

Quando a situação pandémica aliviar, o mercado melhora e, automaticamente, volta a gerar-se emprego, mas não ao mesmo ritmo para pessoas com e sem deficiência, afirmou a secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, no âmbito do Ciclo de Conversas "Fique em Casa", da empresa municipal MatosinhosHabit, em parceria com a Câmara Municipal de Matosinhos, no distrito do Porto.

"O número de pessoas com deficiência inscritas no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) subiu, uma realidade que nos preocupa porque não é um emprego com o mesmo grau de flutuação, não é tão automático como para pessoas sem deficiência", frisou.

Os números do desemprego para pessoas sem e com deficiência não se recuperam com a mesma simplicidade porque não funcionam com a mesma linearidade, explicou.

Ana Sofia Antunes abordou ainda o ensino à distância, decidido pelo Governo para conter os contágios, sublinhando que, se para qualquer criança ter aulas em casa está a ser um desafio, mais ainda se verifica em alunos com deficiência.

"O trabalho à distância não é fácil de operacionalizar e de fazer, trabalhar à distância com uma criança com deficiência visual não é a mesma coisa do que trabalhar com uma criança que vê porque grande parte da informação que trocamos com ela tem suporte visual e isso é um desafio", disse.

A governante ressalvou ainda que a capacidade de foco e concentração perante o ecrã de um computador por parte de crianças com défice cognitivo e intelectual não é comparável àquele que existe de forma presencial.

Ana Sofia Antunes adiantou que as crianças com deficiência estavam preparadas porque a tecnologia faz parte da sua formação.

Neste segundo confinamento geral, depois de um primeiro em 2020, a secretária de Estado assumiu que quis garantir "o mais possível" respostas educativas de retaguarda para as crianças com deficiência, mesmo estando as escolas encerradas.

"Os centros de recursos para a inclusão receberam instruções expressas de que as terapias se iriam manter na lógica presencial e apenas em situações de risco agravado para a saúde da criança é que poderia ser substituída", contou.

Aquando do primeiro confinamento foi necessário criar respostas e medidas com "enorme rapidez", mas neste segundo já pudemos tomar decisões mais conscientes, assumiu.