Coronavírus

Covid-19. Vacinação na América Latina decorre de forma desigual

Alessandra Tarantino

Alguns países ainda não receberam a primeira dose.

A vacinação contra a covid-19 na América Latina avança de forma desigual, com alguns países a nem terem recebido a primeira dose, apesar da boa notícia de baixa de infeções, evidenciada pelas estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados da OMS indicam que no continente americano os infetados com o novo coronavirus atingiram 48.956.948, dos quais 1.159.854 terminaram em norte.

A curva descendente destes números, porém, é contrariada pela grande preocupação com os países onde ainda nem sequer se começou a vacinar. Porém, neste conjunto de países há subdivisões.

No Uruguai, por exemplo, ainda não há certezas sobre a chegada das 3,8 milhões de doses da Pfizer e Sinovac, além das 1,5 milhões que já tem asseguradas através do Covax, mas o facto de ter contratos assinados dá uma certa garantia ao governo e começar a vacinas pelo menos três por cento da população a partir de março.

Não é o caso da Nicarágua, onde até agora não se deu qualquer informação sobre negociações com laboratórios e é muito provável que o governo de Daniel Ortega esteja à espera das remessas da Covax, que não devem chegar antes de junho.

O Governo de Manágua já deu a entender que espera a chegada da vacina russa Sputnik, mas também se desconhecem datas para isto.

Se bem que na Guatemala e nas Honduras também se espere com ansiedade os produtos da Covax, também há informações de negociações para a compra dos produtos da Pfizer e AstraZeneca.

O resto da América Central está a vacinar, mas a OMS já avisou que o novo coronavirus pode manifestar-se de forma mais agressiva se não se atacar de maneira uniforme no contexto regional.

Os esforços de Panamá, Costa Rica e El Salvador podem ficar comprometidos se Nicarágua, Guatemala e Honduras não apanharem mais cedo o "comboio" da vacinação, preocupação que levou, na sexta-feira, o Banco Centro-Americano de Integração Económica a anunciar que vai apoiar a América Central e a República Dominicana com até 800 milhões de dólares (661 milhões de euros) para comprar vacinas.

O caso de Cuba é específico. A ilha decidiu desenvolver a sua própria vacina e já tem quatro candidatas, que se encontram na fase 2 de ensaios clínicos. Além disso, Cuba não participa no Covax, pelo que não receberá vacinas da OMS.

São 32 os países da América Latina que estão no mecanismo Covax e a luta dos Estados com menores recursos contra o novo coronavirus vai depender quase exclusivamente das doses que a OMS lhes entregar.

Por isso, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu na sexta-feira a países como EUA, França, Alemanha e Reino Unido, que anunciaram novos compromissos com a Covax para a repartição global de vacinas contra o novo coronavirus.

"Há um movimento crescente a favor da equidade na repartição das vacinas e dou a boa vinda aos líderes mundiais, que estão a responder ao desafio", realçou.

Os EUA anunciaram na quinta-feira que vão dar "imediatamente" dois mil milhões de dólares para o desenvolvimento e distribuição equitativa das vacinas, prometendo mais dois mil milhões de dólares nos próximos meses.

O novo presidente norte-americano, Joe Biden, integrou os EUA no Covax, no final de janeiro, uma alteração de 180 graus em relação à posição que até então este país tinha.

O contributo de potências como os EUA vai permitir à OMS o fornecimento de vacinas ao Terceiro Mundo e assim contribuir para uma luta contra o novo coronavirus em ais igualdades de condições, ou pelo menos para evitar a concentração da doença nos mais pobres.

Justamente nos EUA, a distribuição de seis milhões de vacinas contra o novo coronavirus está atrasada devido ao temporal de neve e frio que afeta várias partes do país, informou a Casa Branca na sexta-feira.

"Temos um atraso de seis milhões de doses devido ao tempo. Os 50 Estados foram afetados. As seis milhões de doses representam três dias de atraso na distribuição. Em muitos Estados pudemos cumprir com os stocks existentes", disse Andy Slavitt, um dos assessores do governo para a pandemia.

Aos inconvenientes das diferentes empresas de transporte e logística, como FedEx, UPS e McKesson, somam-se aos encerramentos de estradas devido ao temporal, que impediram a distribuição das vacinas "desde os sítios de produção para a distribuição e pontos de transporte".