Coronavírus

População de Rabo de Peixe protesta contra cerca sanitária e Governo reforça policiamento

A cerca sanitária foi implementada em toda a vila de Rabo de Peixe no dia 13 de janeiro, tendo sido reduzida para parte da localidade em 5 de fevereiro. A partir das 00:00 de quarta-feira, e até 1 de março, ficará ainda mais limitada.

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A população de Rabo de Peixe, nos Açores, manifestou-se esta terça-feira. Em causa está o facto de a localidade continuar com um cordão sanitário, sendo a única vila dos Açores com esta medida.

A população está indignada porque está nesta situação há quase dois meses. Esta tarde, saíram à rua, como se pode em vídeos amadores que chegaram à redação da SIC, em protesto contra a cerca sanitária.

O Governo Regional dos Açores vai restringir a cerca sanitária de Rabo de Peixe a uma zona específica da vila, aplicando medidas de alto risco àquela localidade e de médio risco ao concelho da Ribeira Grande.

Em 63 casos ativos nos Açores, 42 são em Rabo de Peixe, onde desde quinta-feira foram detetados 16 novos casos.

Governo solicitou reforço de policiamento

O Governo dos Açores solicitou o reforço de vigilância da PSP no território em que se mantém uma cerca sanitária na vila de Rabo de Peixe, revelou hoje o presidente da comissão de acompanhamento da pandemia, Gustavo Tato Borges.

"Foi pedido à PSP que fizesse um esforço para poder andar pelas ruas onde existem mais casos e poderem, de uma forma dissuasora, elucidar e ajudar as pessoas a que permaneçam em casa e cumpram com o recolhimento obrigatório, porque sem este cumprimento a vila de Rabo de Peixe vai continuar numa situação muito dramática", disse o presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia nos Açores, em conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.

Segundo Gustavo Tato Borges, a população dessa zona será auxiliada por equipas multidisciplinares, compostas por elementos da unidade de saúde de ilha, da delegação de saúde e da segurança social, mas a redução de casos depende da melhoria de comportamentos.

"Aquilo que nós pedimos é que as pessoas de Rabo de Peixe continuem a lutar para resolver esta situação, continuem a ter o máximo de cuidado, a ficarem em isolamento sempre que forem positivas e evitarem contactos de alto risco", salientou o médico, especialista em saúde pública.

A freguesia de Ponta Garça, em Vila Franca do Campo, também já esteve a cerca sanitária e, "neste momento, apresenta zero casos ativos", lembrou.

O presidente da comissão de acompanhamento disse ainda esperar que, "dentro da próxima semana", possa haver "uma situação mais controlada" que permita o levantamento da cerca sanitária, mas não se comprometeu com um número limite de casos para que isso possa acontecer.

"Precisamos de ter uma situação sustentada de diminuição de casos para podermos ter a garantia de que não vão surgir novos casos de uma forma galopante. Aquilo que nós estamos a avaliar sempre são: o número de casos ativos existentes e a data em que foram diagnosticados e o número de novos casos", justificou.

Gustavo Tato Borges não excluiu, no entanto, a possibilidade de alargamento do perímetro da cerca, caso surjam novos casos no centro da vila de Rabo de Peixe.

"As medidas são avaliadas de forma periódica e tanto podemos alargar ou restringir a cerca sanitária conforme evoluir. A possibilidade de voltar a alargar a cerca sanitária, caso voltem a aparecer casos no centro e que se tornem uma fonte de preocupação concreta, poderá ser uma realidade a estar em cima da mesa", apontou.

Os Açores têm atualmente 63 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus, sendo 51 em São Miguel, sete no Pico, três na Terceira, um em Santa Maria e um no Faial.