Coronavírus

Covid-19. França espera pico de infeções dentro de sete a dez dias

Gonzalo Fuentes

Ministro da Saúde de França estima que o número de pacientes nos cuidados intensivos continue a crescer até ao final de abril.

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O ministro da Saúde de França estima que o pico de infeções nesta terceira vaga de covid-19 no país seja alcançado em sete a dez dias e que o número de pacientes nos cuidados intensivos continue a crescer até ao final de abril.

Numa entrevista à rádio France Inter, Olivier Véran explicou que "leva entre sete e dez dias para que as medidas sejam eficazes, para que a eficácia destas possa ser avaliada".

"Se tudo correr bem", demorará mais duas semanas para que esta redução das infeções tenha o seu efeito na redução do número de doentes nas unidades de cuidados intensivos, onde estão hoje 5.053 doentes, número superior ao pico da segunda vaga, em meados de novembro.

O ministro está convencido de que vai funcionar o novo regime de restrições, anunciadas na quarta-feira e que serão aplicadas a partir de domingo a todo o país, e não apenas aos 19 departamentos com maior incidência do SARS-CoV-2.

Para ilustrar, Véran disse que no sábado o aumento das infeções nesses 19 departamentos foi de apenas 1%, enquanto no resto do país o aumento foi de 20%. Na quarta-feira, 59.038 novos contágios e 303 mortes foram registados no país.

França reforça medidas de restrição para aliviar pressão nos hospitais

As restrições, anunciadas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, na noite de quarta-feira, implicam na proibição de qualquer movimento para além de um raio de 10 quilómetros à volta de casa, a menos que haja um motivo válido, nomeadamente de trabalho, família ou saúde.

Todo o comércio não essencial ficará encerrado e escolas e faculdades ficaram fechadas por três a quatro semanas a partir de sábado.

"Alguns queriam o regresso das justificações como em março de 2020 para sair de casa durante o dia, mas não foi essa a nossa opção porque a irresponsabilidade de alguns não deve estragar os esforços de todos. Os controlos e as sanções na via pública vão ser reforçados", disse o Presidente.

Véran indicou que, com as projeções do Governo, as restrições que vigoram desde o final de outubro, com o encerramento de todos os estabelecimentos de convivência (bares, restaurantes, cinemas, teatros ou ginásios) poderão ser levantadas a partir de meados de maio.

Num horizonte mais distante, disse estar "convencido de que os franceses vão tirar férias neste verão" e que terão uma vida próxima da normalidade, embora tenha sido cauteloso quanto à possibilidade de fazer viagens ao estrangeiro.

A França vai abrir 1.700 centros de vacinação e espera conseguir abrir a vacinação para todas as pessoas com mais de 60 anos até meados de abril, mais de 50 anos a partir do meio de maio e para a população em geral a partir de 15 de junho.

A esperança, segundo o Presidente, é conseguir retomar uma vida normal a partir do final de maio.

"A partir de meados de maio vamos recomeçar a abrir, com regras muito rigorosas, certos locais de cultura, vamos autorizar as esplanadas e até ao início do verão vamos ter um calendário para a reabertura progressiva da cultura, passatempos, eventos, cafés e restaurantes", detalhou.

Emmanuel Macron vai voltar a falar ao país para um calendário de desconfinamento destas novas medidas alargadas nas próximas semanas.