Coronavírus

Covid-19 em Timor-Leste. Forte dispositivo policial em redor de centro de isolamento onde morreu um doente

Xanana Gusmão insiste que este tipo de situações estão a ajudar a aumentar a desconfiança da população sobre a covid-19 em Timor-Leste, e que vai ficar no local até que o corpo seja entregue à família.

Saiba mais...

Um forte dispositivo policial está concentrado desde o final da manhã em redor do centro de isolamento de Vera Cruz, em Timor-Leste, onde se mantém um impasse relativamente à retirada do corpo de um homem que morreu com covid-19.

O líder histórico timorense Xanana Gusmão mantém-se intransigente e continua sentado debaixo de um toldo verde à porta daquele centro, localizado na travessa Rumbia, recusando abandonar o local, em solidariedade para com a família do falecido.

A cerca de 100 metros deste local encontra-se um forte contingente de efetivos da Polícia Nacional de Timor-Leste que impedem centenas de manifestante, maioritariamente jovens, de seguir para junto de Xanana Gusmão.

A Lusa tentou falar com Xanana Gusmão, que recusou, pedindo aos jornalistas que se afastassem do local.

Momentos antes, o brigadeiro-general João Miranda 'Aluk', 2.º comandante operacional da Sala de Situação do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC) deslocou-se ao local para tentar convencer Xanana Gusmão a abandonar o seu protesto, mas sem êxito.

Os manifestantes que pontualmente gritam "vivas a Xanana Gusmão" aproveitam os protestos para se queixar de outros aspetos da situação atual, nomeadamente o impacto das medida sanitárias devido à covid-19, assim como as cheias, estão a ter nas condições de vida no país, particularmente nos estudantes.

Responsáveis do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC) de Timor-Leste admitiram hoje que poderão recorrer à força, caso sejam impedidos de retirar do centro de Vera Cruz o corpo.

"Claro que vai haver resistência, mas vamos tentar esclarecer a situação e, em último caso, podemos ser obrigados a tomar medidas de força em relação a esta questão", disse o brigadeiro-general João Miranda 'Aluk', 2.º comandante operacional da Sala de Situação do CIGC.

Aluk respondia à Lusa ao protesto familiares do homem de 46 anos e do líder histórico timorense, Xanana Gusmão, têm mantido hoje à porta do centro de isolamento de Vera Cruz, para tentarem que o corpo seja entregue à família para o velório.

"Compreendemos o vosso luto. Mas para o bem de todos têm que cooperar com o Ministério da Saúde para continuar a combater esta doença, para evitar mais contágios na família, na comunidade", afirmou.

A dimensão da polémica cresceu depois do líder histórico timorense Xanana Gusmão se ter posto do lado da família, ficando no exterior de Vera Cruz onde exige que a ambulância fúnebre pudesse recolher o corpo.

"Este homem não morreu de covid, estava doente há um mês em casa. A família está em boa condição física, que o levou para o hospital e diz que é mentira. Querem levar o corpo", afirmou.

O coordenador da 'task-force' para a Prevenção e Mitigação da covid-19, Rui Araújo, já explicou que o homem de 46 anos entrou no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV) com um quadro grave, com tensão elevada, respiração dificultada e hemorragia.

"Pelo facto de ter frequência respiratória afetada, os médicos dos serviços de emergência deram atendimento e seguiram o protocolo normal, incluindo o teste PCR à covid-19", explicou.

"O resultado foi positivo com um nível ativo elevado de 25.1. O paciente foi transportado para Vera Cruz e foram recolhidas análises a três pessoas da família, das quais duas tiveram resultados positivos: ou seja, três dos quatro habitantes da casa deram resultado positivo", afirmou.

Rui Araújo mostrou-se sensibilizado com a importância dos rituais, usos e costumes, mas recordou que o vírus "está a propagar-se desenfreadamente, não só em Díli mas noutras partes do território" e que todos devem cumprir as regras de saúde pública.