Coronavírus

Estado de emergência. CDS vota a favor mas recusa "eternização"

Rafael Marchante

Diz que é "um mecanismo excecional que não deve ser banalizado".

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O CDS-PP vai voltar a votar favoravelmente a renovação do estado de emergência mas espera que o desconfinamento "não dependa da eternização do estado de emergência", que é "um mecanismo excecional que não deve ser banalizado".

Em declarações aos jornalistas no final de uma audiência por videoconferência com o Presidente da República, a porta-voz do CDS-PP anunciou que "o CDS vai votar favoravelmente este estado de emergência".

Falando na sede do partido, em Lisboa, Cecília Anacoreta Correia justificou esta posição com "o aumento do 'R', estando o 'R' acima de um, e tendo sido hoje anunciado que dentro de 15 dias a um mês" Portugal poderá "já ultrapassar os limiares de risco, que é os 120 casos por 100 mil habitantes".

Mas frisou que "está na hora" de "o Governo fazer um 'forcing' naquilo que são as condições para que tenha sucesso este desconfinamento", nomeadamente ao nível do "reforço da testagem, o reforço do controlo fronteiriço e monitorização das novas estirpes e a vacinação".

"Tivemos a boa notícia de que o plano de vacinação está a ter um impacto muito positivo nas pessoas acima dos 60 anos em termos de imunidade, e é o universo que mais necessita de UCI [Unidades de Cuidados Intensivos] e de hospitalizações e isso permite-nos ter esperança num desconfinamento que não dependa da eternização do estado de emergência porque o CDS entende que é um mecanismo excecional que não deve ser banalizado", destacou igualmente a dirigente.?

A porta-voz do CDS-PP defendeu ainda que "o sucesso do desconfinamento face ao aumento do 'R' e a intensidade dos contactos sociais" depende "essencialmente de o Governo fazer o seu trabalho de casa".

Vacinação. "Em três meses e meio deveria já hoje estar num estado bem mais avançado"

Sobre o plano de vacinação, Cecília Anacoreta Correia indicou que o Presidente da República disse que "em três meses e meio deveria já hoje estar num estado bem mais avançado do que aquele em que se encontra".

Segundo a democrata-cristã, na audiência Marcelo Rebelo de Sousa não indicou se este poderá ser o último estado de emergência a ser decretado, tendo-se pronunciado "apenas sobre as suas preocupações" e ouvido "o que o CDS tinha para dizer".

Testagem nas escolas

O chefe de Estado "partilhou com o CDS as preocupações" que o partido assinalou no final da reunião do Infarmed "quanto à necessidade de reforçar a testagem nas escolas", tendo sido "perentório ao subscrever que é um fator de pacificação das famílias, dos estudantes, de todo o universo escolar e uma questão de precaução social, tendo em conta os dados que hoje os especialistas divulgaram quanto ao aumento de incidência sobretudo nos estudantes", acrescentou a dirigente.

"Sabemos que nas escolas apenas alguns professores estão a ser testados, e numa percentagem muito inferior aquela que nós consideramos ser cautelosa", assinalou a porta-voz centrista.

Vacina da Johnson & Johnson

Questionada sobre o impacto que poderá ter na vacinação dos portugueses contra a covid-19 o facto de estarem a ser investigados casos de tromboembolismo detetados após a administração da vacina da Johnson & Johnson, a centrista sublinhou que ao longo do tempo houve "demasiadas hesitações, erros e desarticulações entre as autoridades nacionais e as autoridades europeias" no que toca ao plano de vacinação e acusou o Governo de ser "responsável por uma perceção de insegurança".