Coronavírus

Covid-19. "Esta crise está a ser paga por determinados setores por um bem comum"

Entrevista SIC

Miguel Martins pede "partilha de sacrifícios" para ajudar os setores mais afetados pelas restrições pandémicas.

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Na véspera da entrada em vigor do novo pacote de medidas de desconfinamento, que serão aplicada à maioria do país, Miguel Pina Martins, presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR), vê o aliviar das medidas de restrições como uma “esperança”.

“Significa esperança de que possamos realmente voltar a faturar e, acima de tudo, esperança em que possamos pensar em sobreviver. Porque neste momento o setor de retalho e da restauração está num autentico modo de sobrevivência e a grande questão é voltar a abrir para podermos ter alguma maneira de conseguir ser sustentáveis e conseguir pagar os ordenados e todos os custos que temos”, afirma em entrevista à Edição da Manhã.

Neste cenário, Miguel Pina Martins considera que é necessário que haja uma “partilha de sacrifícios” na sociedade, considerando injusto que o preço da pandemia seja pago apenas por um conjunto de setores.

“Há um sentimento de que esta crise está a ser paga por determinados setores por um bem comum. E está, realmente, a enviar muitos setores para a miséria por causa de um bem comum e isso não é justo. Nós precisamos de encontrar uma partilha de sacrifícios. Há pessoas que até têm mais rendimento do que tinham anteriormente – setores como a tecnologias, o comércio alimentar, setores que não foram afetados diretamente”, comenta.

Miguel Pina Martins sublinha a importância de reativar a moratória às rendas que, no ano passado, permitiu às empresas ter uma redução das despesas durante seis meses. Com o fim das moratórias, as empresas passaram a pagar 125% das rendas, numa situação em que o setor está ainda mais fragilizado do que no ano anterior.

“Nós nos últimos 12 meses, estivemos praticamente seis meses encerrados e, quando estivemos abertos, estivemos com restrições muito grandes. Isto é muito complicado para estes setores, para quem tem empregados, rendas, muitas despesas para pagar. Aquilo que apelamos ao Governo é que possa ter medidas para ajudar estas empresas que estão numa situação realmente muito complicada nos dias de hoje”, pede o presidente da AMRR.