Coronavírus

Covid-19. Cientista de laboratório chinês pode ter sido o paciente zero

Hipótese é apontada pelo líder da investigação da OMS em Wuhan.

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O líder da missão da Organização Mundial da Saúde a Wuhan para apurar a origem da covid-19 assumiu, numa entrevista gravada em junho e agora divulgada pela televisão dinamarquesa, que é “provável” que o paciente zero tenha sido o funcionário de um laboratório infetado enquanto recolhia amostras de morcego.

Em causa estará um laboratório de virologia em Wuhan, localizado junto ao mercado de marisco onde se acreditava, até agora, que tivesse ocorrido a primeira transmissão do vírus de animais para os humanos.

No documentário emitido pela estação pública dinamarquesa TV2, o especialista Peter Embarek revela que a filial de Wuhan do Centro Chinês para Controlo e Prevenção de Doenças trabalhava com vários coronavírus “potencialmente sem ter o mesmo nível de especialização ou segurança”.

O primeiro alerta para este laboratório foi lançado pelo especialista da OMS em janeiro. Numa altura em que a possível origem do vírus estava a ser associada ao Instituto de Virologia de Wuhan, o cientista apontava o dedo a este outro laboratório, localizado a apenas 500 metros do mercado.

“O que é mais preocupante para mim é o outro laboratório”, disse Peter Embarek. “Aquele que está próximo do mercado”, cita a Associated Press.

Em junho, na entrevista à televisão dinamarquesa, lançou mesmo a possibilidade de um dos funcionários desta filial do Centro Chinês para Controlo e Prevenção de Doenças ter sido infetado com a covid-19 durante uma recolha de amostras biológicas de morcegos no terreno.

A procura pelo paciente zero – o momento em que o vírus passou dos animais para os humanos – levou a equipa da OMS ao mercado de marisco de Wuhan, mas vários cientistas acreditam que, apesar do primeiro caso conhecido estar associado a este mercado, aquele local pode ter sido apenas o sítio onde a transmissão entre humanos foi amplificada.

No relatório publicado pela OMS sobre a investigação em Wuhan, a organização concluiu ser “extremamente improvável” que uma falha laboratorial tenha estado na origem da pandemia, mas recentemente o seu Diretor-Geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reconheceu que tais declarações foram “prematuras”, não sendo possível excluir essa hipótese.

“Eu próprio fui técnico de laboratório. Sou imunologista e já trabalhei em laboratório e acidentes acontecem. É comum”, disse Tedros.

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde afirmou que a investigação das origens da pandemia “não deve ser um exercício de atribuição de culpa, acusação ou pontuação política”. A agência disse ainda que “não há evidências científicas suficientes para descartar qualquer hipótese”.

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