Coronavírus

Relatório diz ser "possível" coronavírus ter saído de laboratório nos EUA

This undated electron microscope image made available by the U.S. National Institutes of Health in February 2020 shows the Novel Coronavirus SARS-CoV-2. Also known as 2019-nCoV, the virus causes COVID-19. The sample was isolated from a patient in the U.S. (NIAID-RML via AP)
This undated electron microscope image made available by the U.S. National Institutes of Health in February 2020 shows the Novel Coronavirus SARS-CoV-2. Also known as 2019-nCoV, the virus causes COVID-19. The sample was isolated from a patient in the U.S. (NIAID-RML via AP)
O artigo foi publicado pela revista The Lancet e está a ser altamente criticado pela comunidade científica.

Um relatório publicado esta quinta-feira pela revista científica The Lancet coloca a hipótese do vírus SARS-CoV-2 – que provoca a doença covid-19 – tenha saído de um laboratório norte-americano. O estudo e a revista científica estão a ser altamente criticados pelas conclusões apresentadas.

O artigo, que será apresentado esta sexta-feira, resulta de uma investigação de dois anos realizada por uma comissão criada para identificar lições para o futuro a partir da pandemia de covid-19. A comissão é liderada pelo economista Jeffrey Sachs, uma figura controversa devido às posições sobre a covid-19, tendo chegado a participar no podcast de Robert F. Kennedy Jr. – um dos mais conhecidos anti-vacinas nos Estados Unidos.

No relatório, é referido que se considera “possível” que o vírus SARS-CoV-2 tenha tido origens naturais ou que tenha saído de laboratórios biológicos. Apesar da referência às instalações laboratoriais chineses de Wuhan – declarado epicentro da pandemia –, o artigo refere que “ainda não houve investigadores independentes a investigar” os laboratórios nos Estados Unidos. Afirma ainda que o Instituto norte-americano de Saúde tem “resistido a divulgar detalhes” sobre o trabalho realizado.

Não é a primeira vez que Jeffrey Sachs afirma que o vírus que causa covid-19 teve origem nos Estados Unidos. Anteriormente, numa conferência realizada em Madrid, Espanha, o economista disse estar “bastante convencido” de que o SARS-CoV-2 “veio de um laboratório norte-americano de biotecnologia, não da natureza”, cita o The Telegraph.

Devido à controvérsia à volta de Jeffrey Sachs, a própria revista The Lancet está a ser alvo de fortes críticas por parte da comunidade científica. Especialistas afirmam que as ações anteriores do economista estão a prejudicar a investigação robusta e as recomendações que fazem parte do relatório. Acusam ainda a revista de ter ignorado os pedidos para remover Jeffrey Sachs da comissão.

Para Angela Rasmussen, virologista na Organização canadiana para Vacinas e Doenças Infecciosas, a “aparição de Sachs no podcast de Robert F. Kennedy Jr. mina a seriedade a missão da comissão da The Lancet ao ponto de a negar completamente”, cita o diário britânico. A professora considera que este “pode ser um dos momentos mais vergonhosos da The Lancet”, mostrando-se “bastante chocada quão flagrantemente” o relatório ignora evidências sobre a origem da covid-19.

Também David Robertson, professor no Centro de Investigação de Vírus da Universidade de Glasgow, mostra-se “realmente desapontado por ver que um relatório potencialmente influenciador contribui para mais desinformação num tópico tão importante”, também citado pelo The Telegraph. O especialista reconhece que há “detalhes a perceber no que toca às origens naturais”, referindo, como exemplo, quais as espécies intermédias envolvidas na transmissão. “Mas isso não quer dizer que existe qualquer base para a especulação de que os laboratórios norte-americanos estão envolvidos”, acrescenta.

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