Crise Climática

Necessidades humanitárias podem duplicar até 2050 por causa das alterações climáticas

David Gray

A Cruz Vermelha estima que, até 2050, mais de 200 milhões de pessoas possam vir a precisar de assistência humanitária.

O número de pessoas que anualmente precisam de ajuda humanitária poderá quase duplicar até 2050, por causa das alterações climáticas, alertou esta quinta-feira a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC).

A organização estima que, até 2050, mais de 200 milhões de pessoas possam vir a precisar de assistência humanitária, cada ano, devido ao aumento do número e da intensidade de tempestades, secas e inundações, em comparação com os 108 milhões de pessoas atuais, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira.

"Estas descobertas confirmam os efeitos que as mudanças climáticas têm e terão sobre algumas das pessoas mais vulneráveis do planeta", comentou o presidente da IFRC, Francesco Rocca, que se deslocou à sede das Nações Unidas para apresentar o documento.

Segundo Rocca, o relatório também destaca a pressão a que ficarão sujeitas as agências humanitárias, com o aumento dos desastres naturais.

Os cálculos incluídos no relatório sugerem que o custo financeiro da intervenção humanitária provocada pelas alterações climáticas ao clima pode chegar aos 20 mil milhões de dólares (cerca de 18 mil milhões de euros) anualmente, até 2030, de acordo com as estimativas mais pessimistas.

Para o presidente da Federação, estes números revelam a necessidade de medidas urgentes e de mais investimento em iniciativas de adaptação às mudanças do clima, que permitam uma redução dos riscos perante os desastres naturais.

A IFRC acredita que o número de pessoas a precisar de ajuda humanitárias pode cair para 68 milhões, por ano, até 2050, se forem tomadas medidas eficazes.

Na segunda feira vai decorrer em Nova Iorque uma Cimeira do Clima, convocada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres, que pediu aos governos para apresentarem novos compromissos concretos para conter o aquecimento global, que ultrapassem as medidas acordadas em 2015 no Acordo de Paris.

Lusa