Crise Climática

Autarcas do C40 defendem pacto verde e melhoria da qualidade do ar

Ritzau Scanpix Denmark

Cimeira que juntou autarcas de 94 cidades mundiais terminou hoje em Copenhaga.

Os autarcas de 94 cidades mundiais, reunidos na cimeira do C40, que terminou hoje em Copenhaga, comprometeram-se a adotar um novo pacto verde, a melhorar a qualidade do ar e a reduzir a utilização dos combustíveis fósseis na construção.


A aliança de autarquias conhecida como C40, na qual se inclui a capital portuguesa, esteve reunida durante quatro dias, em Copenhaga, capital da Dinamarca, e contou também com a presença de líderes políticos, empresariais, científicos, bem como de ativistas.


Entre os principais compromissos adotados no encontro encontram-se a celebração de um novo pacto verde para fazer face à emergência climática, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa em setores como os transportes, a indústria, a construção e o tratamento de resíduos.


Por outro lado, 14 cidades, como Barcelona e Lima, acordaram aplicar até 2030 um conjunto de políticas que estimulem uma dieta mais saudável e sustentável, reduzindo o desperdício e apostando em produtos orgânicos.


Ao nível da qualidade do ar, 30 cidades defenderam que respirar ar puro é um direito, comprometendo-se a tomar uma posição para evitar as 40 mil mortes anuais que se têm registado devido à poluição atmosférica.


Para isso, a aposta vai passar, entre outros pontos, por transportes com baixas emissões e incentivar o uso de bicicletas e de combustíveis mais limpos.


Copenhaga, Oslo e Estocolmo acordaram, por seu turno, impulsionar regulamentações políticas para reduzir o uso de combustíveis fósseis no setor da construção.


De acordo com a agência EFE, um relatório divulgado durante a cimeira apontou que as emissões das infraestruturas poderiam ser reduzidas em 44% até 2050, substituindo por madeira sustentável os materiais responsáveis pelas maiores emissões.


Por último, o C40 anunciou também a criação de uma iniciativa global para os jovens, que permita a colaboração entre os líderes de movimentos climáticos de todo o mundo, com o objetivo de impulsionar o novo pacto verde global.


Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU defendeu, durante a cimeira do grupo C40, que eleitos e cidadãos devem exercer o "máximo de pressão" sobre os governos para alcançarem o objetivo de neutralidade carbónica no planeta em 2050.


"É muito importante exercer o máximo de pressão sobre os governos para que aceitem este nosso objetivo de neutralidade carbónica", disse, na altura, António Guterres aos autarcas e aos representantes dos jovens empenhados pelo clima.


"Hoje vemos as empresas, as cidades e a sociedade mudar mais rapidamente do que os governos", insistiu.