Crise Climática

Madrid já está a trabalhar para receber cimeira do clima

Javier Barbancho

Garantia dada pelo governo espanhol.

Madrid tem quatro semanas para se preparar para acolher a cimeira do clima COP 25 e já está a trabalhar nesse sentido, afirmou esta sexta-feira o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Numa mensagem na rede social Twitter, Sánchez considerou "uma excelente notícia" para Espanha a decisão do Chile, que renunciou à organização por causa da agitação interna.

O governo de Madrid reconheceu que o prazo até à cimeira, que deveria começar a 3 de dezembro, é curto. Além disso, Espanha vai novamente a eleições legislativas para se tentar uma solução governativa a 10 de novembro.

Restam quatro semanas para garantir a logística necessária para receber cerca de 25 mil pessoas, entre peritos, jornalistas e outros participantes, para quem será necessário assegurar alojamento e transportes.

Além disso, será necessário um recinto de grandes dimensões e um dispositivo de segurança adequado.Segundo fontes ouvidas pela agência espanhola Efe, o principal trabalho da cimeira dura uma semana mas nas duas semanas anteriores há trabalho de bastidores a fazer pelas delegações.

O recinto onde se realizará a cimeira precisa de dois espaços: um controlado pelas Nações Unidas para concentrar as delegações que vão negociar entre si e outro para acontecimentos paralelos, como a apresentação de relatórios científicos ou conferências de organizações não-governamentais.

O presidente da associação de hoteleiros de Madrid, Gabriel García, afirmou que os hotéis da capital espanhola têm 90 mil camas, o suficiente para satisfazer a procura acrescida pela realização da cimeira, além do tráfego turístico habitual numa época próxima do Natal.

Na quarta-feira, o Presidente chileno, Sebastian Piñera, afirmou que o Chile já não iria acolher a cimeira anual de luta contra as alterações climáticas, confrontado com a contestação interna e a agitação civil contra a sua governação nos últimos dias.

No dia seguinte, revelou que Pedro Sánchez lhe tinha proposto que a capital espanhola acolhesse a cimeira nas mesmas datas, de 2 a 13 de dezembro.

A responsável das Nações Unidas pela área do clima, Patricia Espinosa, manifestou o seu apoio à iniciativa espanhola, entendendo que demonstrou um sinal "encorajador de cooperação entre países para enfrentar as alterações climáticas, o maior desafio com o qual estão confrontadas as gerações atuais e futuras".

Do lado ambientalista, a organização Greenpeace apelou ao governo espanhol para que leve a União Europeia a liderar as negociações da cimeira de dezembro, em que se procura cumprir os compromissos assumidos por quase todos os países do mundo no acordo obtido em paris em 2015.

A Greenpeace defende que a Europa deve aumentar a ambição para reduzir as suas emissões de gases com efeito estufa em 65 por cento até 2030 e atingir a neutralidade carbónica em 2040.

Lusa