Crise Climática

Compromissos dos países não chegam para reverter crise climática

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Estudo revela que os países mais poluentes não se comprometem a reduzir a emissão de gases.

Três quartos dos compromissos assumidos pelos países subscritores do Acordo de Paris sobre alterações climáticas são insuficientes ou inatingíveis para reverter os efeitos das emissões de gases poluentes, estima um estudo divulgado esta terça-feira.

O Acordo de Paris, de 2015, fixou como meta a contenção do aquecimento do planeta "claramente abaixo dos dois graus" Celsius em relação aos níveis da era pré-industrial, se possível até 1,5 graus, tendo os países signatários se comprometido com medidas nacionais, a rever a cada cinco anos.

A um ano de ser feita a primeira revisão, os autores do estudo avaliaram os compromissos já assumidos para ver se permitiam, na melhor das hipóteses, atingir até 2030 a redução de 50% das emissões de gases com efeito de estufa, a principal causa do aquecimento global.

"Os compromissos não são suficientes para atingir os objetivos e alguns dos compromissos não serão alcançados", afirmou, citado pela agência AFP, o químico britânico Robert Watson, primeiro autor do estudo e ex-coordenador do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas da ONU.

Segundo o estudo, promovido pela Fundação Ecológica Universal, uma organização não-governamental norte-americana, se não houver "mudanças radicais" o mundo viverá com mais 1,5ºC dentro de uma década, ainda que, para este limite, tenha sido fixada uma redução de 50% das emissões poluentes até 2030.

Os quatro maiores poluidores - China, Estados Unidos (que "rasgou" o Acordo de Paris), União Europeia e Índia - representam 56% das emissões mundiais. Apenas a União Europeia (que representa 9% das emissões mundiais) está em vias de cumprir, e mesmo superar, as suas metas, com uma trajetória de diminuição de 58% das emissões em 2030, face ao compromisso de pelo menos 40 por cento.

Os autores do estudo estimam que pelo menos 130 países, incluindo os quatro maiores poluidores, "estão longe de contribuir para a redução de 50% das emissões mundiais até 2030, necessária para limitar o aquecimento em 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais".

Num artigo publicado hoje na revista BioScience, mais de 11 mil cientistas advertiram que a humanidade está exposta ao sofrimento se não atacar rapidamente, e de forma séria, a "crise climática".

Lusa