Crise Climática

"É tempo de agir": as promessas dos líderes mundiais no primeiro dia de cimeira do clima

No primeiro dia de Cimeira do Clima falou-se de ambição, esperança e vontade de mudança.

A cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP25) começou esta segunda-feira em Madrid, com a presença de 50 líderes mundiais, incluindo o primeiro-ministro português, António Costa.

"Tempo de agir", foi o mote escolhido para a conferência, e foram vários os líderes que utilizaram a expressão para enfatizar o problema das alterações climáticas. Contudo, na sessão de abertura, o secretário-geral da ONU, António Guterres, foi mais longe e disse que "já era tempo de agir há 10 anos".

Espanha fala de esperança

Em destaque neste primeiro dia da COP25 esteve também o primeiro-ministro espanhol, anfitrião do evento. Pedro Sánchez manifestou a esperança de que a cimeira "marque um antes e um depois" e que faça de Madrid a "capital mundial na luta contra a emergência climática" e o multilateralismo, que na sua opinião terá de ser reforçado. Inicialmente, a cimeira ia acontecer no Chile, mas o governo chileno acabou por cancelar o evento devido à onda de contestação social que se faz sentir no país. O governo espanhol avançou com a proposta de organizar a COP25 em outubro e conseguiu ter tudo pronto para a sua inauguração, em Madrid, apesar de a presidência da reunião continuar a pertencer ao Chile.

Sánchez foi um dos intervenientes na cerimónia de abertura da cimeira, onde afirmou que "há que ir mais longe e fazer as coisas mais rápido" em matéria de emissões poluentes, já que ou há um "ponto de inflexão" ou se entra em "ponto de não retorno". O líder espanhol afirmou que "Espanha está pronta para dar um passo à frente" e vai aumentar "a taxa de redução de emissões" definida até 2030, tendo os olhos postos na cimeira de Glasgow, a sede da próxima Cimeira do Clima.

"Devemos chegar à cimeira de Glasgow 2020 com contribuições nacionais muito mais ambiciosas" e com estratégias de descarbonização a longo prazo "ordenadas, justas e eficientes", afirmou.

França pede mais ambição

A mesma esperança é partilhada pelo Governo francês, que se fez representar pelo primeiro-ministro, Edouard Philippe, e pela secretária de Estado francesa para a Transição Ecológica, Brune Poirson. O Executivo pede uma cimeira "ambiciosa" e a finalização do Acordo de Paris.

"Podemos resolver tudo se o levarmos a sério", disse o primeiro-ministro francês, que salientou a necessidade de "mudar o método", no sentido de que "não só os governos, mas também o resto dos cidadãos devem partilhar o problema das alterações climáticas".

O primeiro-ministro acrescentou que "são os cidadãos quem tem de decidir o nível de aceitabilidade das propostas e das iniciativas". O governante lembrou também que a França já assumiu a neutralidade carbónica para 2050 e que em 2022 vai encerrar a última central a carvão, esperando que em 2040 se deixe de vender automóveis que produzem gases com efeito de estufa.

Portugal chama a atenção para os oceanos

Apesar de o Acordo de Paris ser um dos focos da cimeira, o primeiro-ministro português, António Costa, chamou a atenção para os oceanos, - tema esquecido no Acordo de Paris - que considera ser uma prioridade no combate às alterações climáticas. Na sua intervenção, o primeiro-ministro disse ainda que Portugal está na linha da frente no combate às alterações climáticas.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, acompanhou o primeiro-ministro no início da COP25, mas só voltará a falar perante o plenário na segunda fase das declarações nacionais, que começa no dia 10.

Cimeira decisiva a um mês da entrada em vigir do Acordo de Paris

A conferência acontece a praticamente um mês da entrada em vigor do Acordo de Paris, marcada para 2020, ano em que os países signatários devem apresentar medidas concretas para limitar o aumento da temperatura global e estabelecer novas metas para conter as suas emissões carbónicas.

Uma das questões centrais e que poderá obrigar a maratonas negociais é a criação de um mercado global de licenças de emissões carbónicas, que não existe e que atualmente é uma manta regional fragmentada de venda e troca de licenças para poluir.

Do lado da ciência, o sentido de emergência é claro: os mais recentes relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas apontam um cenário já irreversível de subida da temperatura global, subida dos níveis dos oceanos e uma cascata de efeitos combinados que significam catástrofes ambientais nas próximas décadas.

Para cumprir o objetivo definido em Paris em 2015, de limitar o aumento da temperatura global face aos níveis pré-industriais até 2100, será necessária uma redução anual de 7,6% das emissões de dióxido de carbono, segundo os últimos dados das Nações Unidas.

A par da COP25, organizações não governamentais e da sociedade civil promovem uma agenda paralela de atividades, nas quais pontua a presença da ativista sueca Greta Thunberg, o rosto de um movimento mundial protagonizado por muitos estudantes - em greves às aulas pelo clima - de contestação e exigência de respostas aos líderes mundiais.

A ativista sueca partiu em 13 de novembro do porto norte-americano Salt Ponds, no Estado de Virgínia, num catamarã, prevendo chegar a Lisboa, a caminho de Madrid, na terça-feira.

Em 2020, a COP26 está prevista para Glasgow, na Escócia.