Crise Climática

Greve Climática Estudantil organiza hoje novo protesto em Portugal

Lisboa, Portugal.

Armando Franca

A organização pede aos jovens que saiam às ruas ou coloquem velas e faixas nas varandas de suas casas.

A Greve Climática Estudantil organiza hoje novo protesto em Portugal, para alertar que o acordo de Paris é já "insuficiente", denunciando cinco anos de "inação, falsas promessas e vazios políticos" e admitindo "evoluir para ações mais fortes".

De acordo com um comunicado do movimento Greve Climática Estudantil, em Portugal pede-se aos jovens que saiam às ruas ou coloquem velas e faixas nas varandas de suas casas.

Em Lisboa, no Terreiro do Paço, pelas 19:00, será deixada uma "mensagem dos ativistas escrita em luz e acompanhada de música ao vivo"; em Faro, pelas 18:00, está prevista uma concentração frente ao Fórum. Estão previstas ações também em Aveiro, Alcácer do Sal e Odemira.

Os protestos inserem-se no movimento internacional Fridays for Future, desencadeado pela ação da jovem ativista sueca Greta Thunberg, e têm como lema #FightFor1point5, o que em português se traduz como lutar por 1,5 graus Celsius, o limite para o aquecimento global estabelecido no Acordo de Paris, que os jovens da Greve Climática Estudantil dizem não estar a ser respeitado pelos líderes mundiais.

"As palavras continuam a não corresponder às ações e a crise climática continua a não ser tratada como uma crise. Passaram-se cinco anos de inação (desde que foi alcançado o Acordo de Paris, em 12 de dezembro de 2015), de falsas promessas e de vazios políticos que apenas nos colocam cada vez mais perto do caos climático. Não podemos esperar mais", lê-se no manifesto do movimento.

"Não há propósito em pedir aos nossos líderes para honrar o compromisso que fizeram em Paris, que se revela, em si, insuficiente. Está na hora de nós fazermos os nossos próprios compromissos", acrescentam os jovens.

O movimento reitera que o atual nível de aquecimento "já é uma catástrofe" que deixa o planeta mais perto de "pontos de não retorno desastrosos e irreversíveis", pelo que insiste na urgência da mudança, que não tem que ser apenas mais rápida, mas também "mais justa", sem excluir os mais pobres e mais afetados.

No manifesto declaram-se prontos para a ação e para fazer evoluir a luta.

"Cansámo-nos de vãs e ludibriosas respostas às exigências do planeta, casa de todos nós. Não há tempo a perder. As vozes de protesto ecoam por todo o lado. Na ausência de liderança, fazemos um compromisso uns para com os outros e para com o planeta -- nós exigimos mudança e responsabilização. Nós vamos lutar pelo mundo que queremos. Comprometemo-nos a sair às ruas, a gritar, a protestar, a construir campanhas e conexões, a exigir mais e a evoluir para movimentos mais fortes", lê-se no documento.

O movimento da Greve Climática Estudantil promete não baixar os braços e elaborar uma lista de "infraestruturas e setores" a encerrar "na próxima década", assim como uma agenda climática para limitar o aumento do aquecimento global a 1,5 graus celsius acima dos valores médios da era pré-industrial.

"As medidas para combater a crise climática eram para ontem. Não vamos parar. Depende de nós, das pessoas, de todo o mundo, de todas as gerações, organizar, mobilizar e trazer a mudança que queremos ver no mundo", escrevem os jovens.

O movimento Fridays for Future, que teve início em agosto de 2018, na sequência das ações de protesto desencadeadas pela ativista Greta Thunberg, conta já com a adesão de 7.500 cidades em todo o mundo e a participação de mais de 14 milhões de pessoas.