Alterações Climáticas

Aumento do fenómeno El Niño com impacto dramático na fauna do Pacífico

Aumento do fenómeno El Niño com impacto dramático na fauna do Pacífico
Brett Monroe Garner/Getty Images
El Niño é um fenómeno oceânico natural que leva ao aumento das temperaturas.

O aumento na frequência do fenómeno meteorológico conhecido como El Niño, motivado pelos efeitos das alterações climáticas, pode ter um grande impacto na fauna da costa do Pacífico e causar mudanças dramáticas nos seus ecossistemas, aponta um estudo.

A investigação, divulgada na quinta-feira na revista Sciense, analisou 12.000 anos de restos de animais, como pássaros ou peixes, acumulados ao longo de milhares de anos num depósito na Baixa Califórnia, México.

O trabalho aponta que, quando o El Niño se repete mais de cinco vezes por século, a diversidade marinha diminui, a atividade humana diminui e a diversidade de aves aumenta. Quando o fenómeno se torna raro, no entanto, como há 7.000 anos, a fauna costeira, quer de aves quer de peixes, varia muito e a atividade humana aumenta.

O El Niño é um fenómeno oceânico natural que leva ao aumento das temperaturas.

Os investigadores estimam que as alterações climáticas contribuirão para um aumento na frequência do El Niño, embora um estudo publicado no ano passado na revista Nature Climate Change sugira que o aquecimento global enfraquecerá a intensidade do ciclo de temperatura que produz o fenómeno.

Segundo os autores do estudo, embora já sejam conhecidos os efeitos do El Niño nas populações de fitoplâncton e zooplâncton, e as suas consequências no resto da cadeia alimentar, a falta de registos de longo prazo impediu até agora de ter uma visão mais ampla da relação entre o fenómeno meteorológico e os ecossistemas costeiros.

Graças ao estudo dos restos biológicos de aves e de peixes da região, essa relação surge agora claramente, e esse "ponto de inflexão" pode ser estabelecido, após o qual a fauna varia drasticamente, quando o fenómeno padrão climático se repete mais de cinco vezes num século. Os cientistas defendem que conhecer estes dados permite uma melhor preparação para um futuro que será marcado pelos efeitos das alterações climáticas.

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