Alterações Climáticas

Quatro ativistas pelo clima detidos na Faculdade de Letras são hoje presentes a tribunal

Quatro ativistas pelo clima detidos na Faculdade de Letras são hoje presentes a tribunal
MANUEL DE ALMEIDA

A direção da Faculdade chamou a PSP para retirar os 13 estudantes ocuparam as instalações desde segunda-feira. Nove decidiram sair de forma voluntária e quatro foram detidos ao final da noite de sexta-feira.

Vão ser presentes a tribunal ao início da tarde de hoje os quatro estudantes, membros de um movimento climático, que foram detidos nos protestos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, esta sexta-feira.

Os quatro alunos foram detidos depois de se terem recusado a abandonar as instalações da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estavam barricados em protesto pelo clima desde segunda-feira.

Três dos quatro detidos foram levados à força pelas autoridades, apesar dos avisos de que fariam uma concentração à porta da esquadra no caso de haver detenções.

A Faculdade de Letras é uma das cinco instituições de ensino onde alunos estiveram barricados durante toda a semana.

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A Polícia de Segurança Pública (PSP) garantiu que "apenas foi utilizada a força estritamente necessária" para deter esta sexta-feira quatro ativistas climáticos que desde segunda-feira ocupavam a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Num comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP sublinhou que a detenção dos ativistas, "por desobediência à ordem de dispersão", "foi objeto de amplas filmagens por parte dos visados".

A porta-voz do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa!", Alice Gato, tinha dito à Lusa ter ficado "desiludida com os órgãos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa por terem utilizado brutalidade policial" com os quatro ativistas detidos.

Os ativistas "estavam a protestar desde segunda-feira de uma forma pacífica com reivindicações super justas (...) e depois a direção da Faculdade de Letras decide arrancá-los de lá. Eles estavam colados ao chão e retiraram-lhes as mãos sem qualquer precaução", acusou.

No comunicado, a PSP confirmou que a 2.ª Divisão Policial foi chamada ao local, "a pedido da Direção da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa", porque a permanência dos ativistas estava a colocar "em causa a liberdade de circulação e ensino".

Os alunos em protesto tinham-se reunido na noite de sexta-feira com a direção da faculdade, mas, segundo Alice Gato, da reunião não resultou qualquer entendimento.

No total saíram nove membros do movimento estudantil "Fim ao Fóssil: Ocupa!", tendo ficado quatro. Segundo a PSP, os quatro jovens, entre os 19 e 24 anos, "encontravam-se ligados entre si através de tubos de PVC e mosquetões e com as mãos coladas ao solo".

Depois de retirados da faculdade, os detidos "foram conduzidos à esquadra dos Olivais, tendo, após cumprimento das formalidades processuais, sido libertados e notificados para comparência no dia 14 de novembro, na Instância Local Criminal de Lisboa -- Secção de Pequena Criminalidade", disse a PSP.

MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Há mais de uma semaa que os ativistas pelo clima que estão a ocupar escolas e universidades. Pedem o fim o uso dos combustíveis fósseis e a demissão imediata do ministro da Economia por ter tido uma carreira ligada à indústria petrolífera.

António Costa Silva já se mostrou entretanto disponível para reunir com os estudantes.

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Os estudantes reivindicam principalmente o fim dos combustíveis fósseis até 2030 e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, por, dizem, não ter preconceitos em relação a projetos de exploração de gás e por ser, até recentemente, presidente do Conselho de Administração de uma petrolífera.

As ocupações, que começaram na segunda-feira e que não têm data para terminar, coincidem com a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27), que decorre desde domingo em Sharm el-Sheikh, no Egito, até ao próximo dia 18.

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