Crise na Venezuela

Guaidó assegura não estar intimidado após detenção do chefe de gabinete

RAYNER PENA

Juan Guaidó diz ainda ter recebido informações que indicam que o líder chavista não ordenou a ação.

O opositor e autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, assegurou esta quinta-feira não se sentir intimidado após a detenção do seu chefe de gabinete, o advogado Roberto Marrerro, afirmando que manterá a agenda de trabalho prevista.

"Querem intimidar-me? (...) Querem prender-me? Que venham, mas não vão conseguir desviar-nos do caminho que estamos a traçar", afirmou Guaidó em declarações à imprensa, qualificando a detenção do seu 'braço direito' por agentes dos serviços secretos venezuelanos (SEBIN) como um "sequestro" e uma ação "vil" e "grosseira".

"Vamos continuar o caminho, vamos continuar com a operação liberdade (...) vamos continuar nas ruas de toda a Venezuela".

E prosseguiu: "Dar a cara sem medo ao povo, é o momento de avançar com a operação liberdade", referindo-se a uma manifestação que está a ser planeada, ainda sem data definida, para junto dos portões do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

Assembleia Nacional irá tomar ações para denunciar detenção

Juan Guaidó afirmou ainda que a detenção de Roberto Marrerro confirma que a cadeia de comando "está partida", uma vez que recebeu informações provenientes de altos funcionários do governo de Nicolás Maduro que indicam que o líder chavista não ordenou a ação e que algumas estruturas da área da segurança estão a agir por conta própria.

O autoproclamado Presidente venezuelano referiu também que a Assembleia Nacional (parlamento) irá tomar em breve "ações" para denunciar a detenção de Marrero, que foi secretário daquela câmara em 2016.

Marrero foi detido de madrugada na sua casa por membros do SEBIN.

O deputado Sergio Vergara, vizinho de Marrero e cuja casa também foi alvo de buscas, denunciou a detenção.

Crise intensificou-se a 23 de janeiro

Cerca de 50 elementos do SEBIN participaram na operação, segundo Vergara. A crise política na Venezuela no início do ano, quando o opositor e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Cerca de 50 países, incluindo a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela encarregado de organizar eleições livres e transparentes naquele país.

Na Venezuela, a confrontação entre as duas fações tem tido repercussões políticas, económicas e humanitárias.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

Os mais recentes dados das Nações Unidas estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Só no ano passado, em média, cerca de 5.000 pessoas terão deixado diariamente a Venezuela para procurar proteção ou melhores condições de vida.

Lusa

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