Crise na Venezuela

Venezuela promete reabrir "o mais cedo possível" as fronteiras com o Brasil

Encerradas desde 21 de fevereiro, dois dias antes da data limite anunciada pelo líder do parlamento para a entrada de ajuda humanitária no país.

O chefe da diplomacia venezuelano, Jorge Arreaza, assegurou na segunda-feira que o Governo de Nicolás Maduro está a trabalhar para reabrir "o mais cedo possível" as fronteiras com o Brasil, encerradas desde 21 de fevereiro.

O anúncio foi feito por Arreaza em Caracas, depois de uma reunião com o senador brasileiro Telmário Mota.

Para o efeito, vão ser realizadas reuniões de trabalho para definir "as regras do jogo e segurança de ambos os povos", acrescentou o governante responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros.

O Presidente venezuelano ordenou o encerramento das passagens de fronteira da Venezuela com o Brasil a 21 de fevereiro, dois dias antes da data limite anunciada pelo líder do parlamento para a entrada de ajuda humanitária no país.

O dia 23 ficou marcado por atos violentos na chegada de ajuda humanitária, com camiões incendiados na fronteira com a Colômbia e outros a regressar ao Brasil, registando-se pelo menos quatro mortos e centenas de feridos nos confrontos.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder do parlamento, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio da maioria da comunidade internacional e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou mais de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

Lusa

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