Crise na Venezuela

Venezuela a ferro e fogo

Carlos Garcia Rawlins

A tentativa de golpe de Estado que abalou o país.

A operação para depor o Presidente Nicolás Maduro, lançada ao início da manhã desta terça-feira pelo autoproclamado Presidente interino Juan Guaidó, colocou a Venezuela no centro do mundo.

Estava prevista para as 23h00 (hora de Lisboa) uma declaração de Guaidó, que não se realizou. Na última publicação que fez no Twitter, o opositor ao regime de Maduro falava num processo "imparável" e garantia ter o "apoio firme do nosso povo e do mundo para conseguir recuperar a nossa democracia":

Apesar da ação dos militares, os manifestantes marcaram presença em grande número nas ruas da capital venezuelana, depois do apelo de Guaidó.

Surgiram vários focos de confronto, com militares apoiantes de Maduro a impedirem as manifestações de civis.

O desfile, que saiu da base militar La Carlota, foi durante a tarde barrado por disparos, gás lacrimogéneo e canhões de água. Pelo menos 71 pessoas ficaram feridas.

Um dos momentos que marcou o dia foi o atropelamento de vários manifestantes, levado a cabo por um veículo militar:

Já esta noite, o opositor venezuelano Leopoldo López - que estava detido e recebeu um "indulto presidencial" de Guaidó - e a família refugiaram-se na Embaixada do Chile em Caracas.

A revelação foi feita pelo chefe da diplomacia chilena, Roberto Ampuero:

Também o Brasil concedeu asilo a 25 militares venezuelanos.

O Governo brasileiro acompanha a crise na Venezuela com cautela e reafirma o apoio a Juan Guaidó, como explica a correspondente da SIC Ivani Flora:

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas apela a que os portugueses com dificuldades em comunicar com as famílias entrem em contacto com a embaixada e o movimento associativo português na Venezuela.

José Luís Carneiro diz que tem sido mantido o contacto com a comunidade portuguesa durante todo o dia e que, até agora, não há portugueses envolvidos em atos de violência.

No panorama internacional, multiplicam-se as reações. A maioria é de apoio a Juan Guaidó, mas também de apelo à não violência.

A Venezuela atravessa uma crise sem precedentes. Faltam comida e medicamentos e o salário mínimo dá para muito pouco.

É este o retrato de um país que a SIC visitou há dois meses e que recuperamos na reportagem abaixo:

  • A vila onde cabe o mundo
    9:35