Crise na Venezuela

Rádio Caracas resiste à suspensão de Maduro e continua a emitir na net

Rádio Caracas resiste à suspensão de Maduro e continua a emitir na net

"Resistir, resistir, resistir" foram as palavras transmitidas pelo diretor da Rádio Caracas Rádio aos populares que se juntaram, terça-feira à tarde, frente às instalações em solidariedade com o órgão cujas emissões foram suspensas dia 30 pelo regime de Maduro.

A suspensão das emissões aconteceu no dia em que o Presidente da Assembleia Nacional se apresentou com Leopoldo Lopez e alguns militares apontando para uma mudança de regime.

Funcionários da Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) chegaram às instalações e invocaram que a licença, que datava de 2007, estava caducada.

"Uma desculpa, a verdade é que o governo não quer que contemos o que acontece na Venezuela todos os dias, incomoda-lhes muito que defendamos a liberdade de expressão. Vivemos uma contínua violação dos direitos humanos na Venezuela", ironiza o diretor da rádio que na rua diz para os simpatizantes e apoiantes da rádio

No momento da suspensão Nestares colocou no Twitter: "Este é um ato de força e de censura, mas chegaram muito tarde, rapidamente voltaremos a estar no ar".

Os 42 trabalhadores da rádio continuam a fazer rádio diariamente tal qual faziam antes."Somos uma emissora que não retira os microfones ao povo, que ouve as pessoas, e reiteramos esse propósito", disse.

E os sinais são muito positivos. As audiências apontam para 45 mil pessoas por programa a assistirem às emissões da Rádio Caracas Rádio.

A razão, para Jaime, é simples, "as pessoas querem informação livre, num país onde há poucas opções de informação livre".

No dia-a-dia da redação, o acesso à informação oficial é praticamente impossível. "Não nos deixam entrar no Palácio de Miraflores (Maduro), nem nos ministérios, todas as fontes de informação do Estado estão fechadas".

Porque se trata de "um governo que não admite a crítica e nós somos jornalistas que queremos contar o que os outros não querem que se saiba".

"Continuamos com as nossas equipas a trabalhar sempre com o mesmo objetivo, na Internet, com os nossos repórteres a informar e opinar. Continuaremos. Não nos rendemos", diz o jornalista.

Para todos os apoiantes da rádio que se encontravam na rua a gritar palavras de ordem a favor da liberdade de expressão, Jaime disse que todos têm de "continuar juntos e agrupados, e procurar formas de luta e sobretudo maneiras de resistir e aguentar.

Um governo que tem 87% de pessoas que o detestam, que não lhes dá eletricidade, água, alimentos, medicamentos é difícil de continuar no poder".

O sistema de pressão sobre os órgãos de comunicação é grande, e Jaime afirma que alguns órgãos, para sobreviver, aceitam as regras e já fazem autocensura. Nós não fazemos isso. Vamos continuar a fugir à propaganda do regime".

Sobre o futuro acha difícil que Nicolás Maduro consiga permanecer muito mais tempo no poder:

"Um governo que não te dá trabalho, é difícil continuar. A não ser que te salte em cima com mais violência. A pergunta é: Vão matar todos, ou vão embora? Eu espero que vão embora o mais depressa possível".

Jaime termina a conversa com a Lusa dizendo: "Temos medo? Sim, claro que temos. Mas só há duas opções, ou deixar que te amedrontem ou lutar contra o medo. Nós lutamos".

Com Lusa